Terminei ontem de ler Eclipse, o terceiro livro da saga Crepúsculo, de que comentei aqui. Tinha terminado de ler Lua Nova, o segundo volume, na semana passada e agora só falta o desfecho, Breaking Dawn.
Se quiser saber o que eu achei, é só seguir os links aí de cima para as resenhas no Homem Nerd.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Página virada: Lua Nova e Eclipse
Postado por Bia às 16:46 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
literatura americana,
literatura juvenil,
resenhas
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Página virada: Crepúsculo
Terminei anteontem de ler Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Eu tinha começado a leitura na semana passada e, confesso, demorou um pouco mais do que eu imaginei por duas razões: muito trabalho e pouca empolgação. Explico.
Em breves palavras, posso dizer que o livro deixou um pouco a desejar, frustrando um pouco minhas expectativas. Por ter feito tanto sucesso nos Estados Unidos, eu esperava uma história mais empolgante, que me cativasse, atraísse minha atenção desde a primeira página, o que durou instantes efêmeros.
Depois de virar a última página, pus-me a pensar sobre a narrativa e em como a autora se deteve demasiado na apresentação e caracterização dos personagens. Desconfio que, quando estava escrevendo Crepúsculo, Stephenie Meyer já imaginava uma série de livros, o que justifica em parte a falta de ação. Em parte, vejam bem.
A seqüência do jogo de beisebol entre os familiares de Edward é absolutamente dispensável. Na verdade, enquanto digitava a frase anterior, a palavra quadribol passou pela minha mente como um raio (ou como um pomo de ouro, se preferirem). Não posso evitar de pensar que a maioria dos escritores de livros juvenis está tentando preencher o vazio que J.K. Rowling deixou quando resolveu encerrar sua série com Harry Potter e as Relíquias da Morte.
De qualquer forma, estou ansiosa pelo lançamento de Lua Nova, que será no próximo sábado na Saraiva Megastore do Shopping Morumbi, com direito a participação de fã-clubes e tudo. Vou cobrir o evento para o Homem Nerd e conversar com o pessoal da editora para saber o que mais vem por aí.
P.S. As capas dessa série são deslumbrantes de tão simples.
Postado por Bia às 21:05 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
eventos,
literatura americana,
literatura juvenil
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Lançamento Machado de Assis
Postado por Bia às 06:37 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
eventos,
lançamento,
literatura brasileira
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Dicta & Contradicta
A publicação semestral Dicta & Contradicta foi lançada na semana retrasada, em São Paulo, com boa repercussão na mídia paulistana. Segundo os editores (que inclui jornalistas, advogados e filósofos), a revista traz, além dos artigos principais, editorial que expressa a opinião do Instituto de Formação e Educação, textos traduzidos de autores estrangeiros, perfil de um intelectual ou artista, uma seção de filosofia e uma de literatura.
Com mais de 200 páginas (os editores brincam que é a única que pára em pé) e custando R$22,50, a iniciativa assemelha-se às revistas acadêmicas publicadas por universidades, até porque conta com apoio do Instituto Bovespa e do Banco Fator.
Ainda não li, mas estou curiosa. Assim que der, faço o relato aqui.
Postado por Bia às 08:53 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
filosofia,
notícias,
revistas
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Como ler um livro
Hoje em dia, em que nossa existência virtual rivaliza com a real, ler um livro pode ser considerado démodé, algo como as polainas de lurex dos anos 1970 (à la Julia Matos de Dancing Days), as carteiras OP com velcro e cores chocantes (para usar uma gíria da época) dos anos 1980 ou as calças baggy dos anos 1990 (não sei que moda foi essa, mas ainda bem que passou!).
Assim, é natural, se não fosse tragicômico, que existam manuais que ensinem as pessoas a ler livros. Em tempos de Orkut, Facebook, MySpace, Skype e outras modernidades quejandas, instruções de como usar esse objeto arcaico parecem necessárias.
Há, por exemplo, How to Read a Book (1940), o clássico de Mortimer Adler, que define regras para ler o chamado “cânone ocidental”, as grandes obras necessárias para a formação do pensamento inteligente, liberal e racional.
Adler analisa os tipos de conhecimento que podem ser adquiridos em livros, a forma com que o leitor apreende esse conhecimento e as modalidades de leitura que pode fazer. Segundo o professor, pode-se analisar a estrutura do texto, os argumentos usados para construir a tese do autor, mas é importante formarmos uma opinião crítica acerca do que lemos.
Enquanto Adler se detém em livros de não-ficção, Francine Prose se debruça sobre as obras literárias em Para Ler Como um Escritor (Reading Like a Writer, 2006), na minha cabeceira atualmente. A autora recomenda que o leitor preste atenção a cada detalhe do texto, desde a escolha das palavras até a construção do personagem, que leia nas entrelinhas o que realmente os grandes escritores quiseram dizer.
Uma das técnicas de que mais gosto é a de sublinhar palavras relacionadas a um determinado assunto importante para o enredo. O exemplo que Francine dá é o de um trabalho de escola que ela teve de fazer quando jovem. O professor de Literatura pediu que durante a leitura de Rei Lear, de Shakespeare, e, se não me engano, Édipo, de Sófocles, os alunos destacassem todas as palavras relacionadas ao tema da cegueira. Assim, seria possível comparar de que forma os dois autores constroem os personagens e suas características.
A idéia é excelente, na minha humilde opinião.
Postado por Bia às 09:23 3 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
escrever,
literatura
domingo, 4 de maio de 2008
Da série: Por que ler os clássicos (1)
Não sou muito de fazer propaganda de lançamentos a menos que ache-os interessantes, como é o caso dessa coleçãozinha simpática da editora Globo.
Postado por Bia às 10:27 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
ensaios,
lançamento
quarta-feira, 26 de março de 2008
Resenha - D. João Carioca
Tartareaders,
já está no ar, no site Homem Nerd, mais uma resenha feita por esta humilde escriba.
Desta vez, o objeto é D. João Carioca, de Lilia Moritz Schwarcz e Spacca, excelente história em quadrinhos recém-publicada para engrossar o beija-mão do bicentenário da vinda da família real portuguesa ao Brasil.
Quem quiser ler, clique aqui.
Obs.(1): De tempos em tempos, faço resenhas para o Homem Nerd sobre literatura, cinema e TV. A lista completa do que já fiz está aí do lado direito, sob o (óbvio) título "Resenhas que fiz".
Obs.(2): Nina, esse livro é bem bacana para a sua filha ler. Afinal, mesmo morando longe é bacana que ela conheça a História do Brasil, né?
Postado por Bia às 13:32 1 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
hq,
resenhas
sábado, 8 de março de 2008
A mulher e a liberdade de criar
A room of our own
Em outubro de 1928, Virginia Woolf foi convidada para dar uma série de palestras em duas faculdades femininas da Cambridge University. O tema era “Women and Fiction”, Mulheres e Ficção. Nessa época, Virginia já havia publicado os romances Mrs. Dalloway (1925) e Orlando (1928). Os livros saíram pela Hogarth Press, editora que ela fundara em parceria com o marido, Leonard Woolf, em 1917. A escritora inglesa era fascinada por Dostoievski. Inspirada nos romances russos, usou tom pesado para, em suas narrativas, fazer reflexões feministas, ora de forma linear – como em Noite e dia (Night and Day, 1919) –, ora bastante introspectivas – como em Mrs. Dalloway, Passeio ao farol (To the Lighthouse, 1927) e As ondas (The Waves, 1931).
O teor das palestras de Cambridge foi revisado, expandido e publicado como livro em 1929, com o nome A Room of One’s Own. Foi publicado no Brasil só em 1985, pela Nova Fronteira, com o título Um teto todo seu (trad. Vera Ribeiro).
Ao receber o convite da universidade, Virginia pensou em falar uma coisa e outra sobre Jane Austen, George Eliot e Elizabeth Gaskell, nomes importantes da ficção feminina inglesa. À medida que ponderava e considerava o assunto, porém, percebeu que, mais importante do que falar sobre as obras de suas antecessoras, era discutir a condição da mulher escritora.
Virginia afirma que toda mulher precisa de dinheiro e um quarto só seu (daí o título do livro), se quiser ter liberdade para criar e escrever. Para comprovar sua tese, Virginia desenvolve seu raciocínio por meio de uma personagem fictícia. No livro, a narradora assume a difícil tarefa de analisar o processo criativo das novelistas do século 19. Como as informações disponíveis são poucas, ela decide reconstruir esse cotidiano por si mesma, chegando até a imaginar uma irmã fictícia para o maior escritor inglês. Judith Shakespeare seria tão imaginativa e competente quanto o irmão, mas, por nunca ter conseguido espaço para expressar sua genialidade, matou-se de desgosto.
A expressão “um quarto só seu” ficou muito conhecida e transformou-se em lugar-comum. Virginia usa o quarto como símbolo de questões mais importantes, como privacidade, tempo livre e independência financeira. O que ela está dizendo é que, enquanto a mulher não tiver um quarto particular, algo de que os homens da época de Woolf desfrutavam, sempre será uma cidadã de segunda classe e sua literatura também será vista como tal.
Virginia também diz que os homens subjugam as mulheres, a fim de preservarem sua superioridade; a escrita deles é, portanto, agressiva em relação às mulheres. Elas, por sua vez, inseguras quanto ao seu status social, usam a literatura para reagir. Dessa forma, Woolf afirma que os dois são prejudicados, uma vez que o objeto da literatura deve ser o mundo, e não o próprio escritor.
A Room of One’s Own é um dos mais importantes trabalhos de crítica literária do ponto de vista feminista; certamente, é o pioneiro. É citado em inúmeros estudos e até dá nome a uma livraria em Wisconsin. A escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941), por sua vez, inspirou a peça de Edward Albee, Quem tem medo de Virginia Woolf? (Who’s Afraid of Virginia Woolf?, 1962), e o romance As horas (The hours, 1998), de Michael Cunningham.
Meu desejo é que não nos esqueçamos das mulheres que abriram o caminho para que nós pudéssemos estar aqui, hoje, escrevendo livremente; que nos lembremos do sacrifício que fizeram e não deixemos nossa criatividade ser tolhida; e que comemoremos o sucesso de todas elas, lendo, relendo e divulgando suas obras.
Para ir além:
Texto integral de A Room of One’s Own (em inglês)
Guia de leitura - Spark Notes
Guia de leitura - Grade Saver
[O texto acima é uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher e faz parte de uma postagem coletiva, organizada pela Lys e pela Meire. Para ler os outros textos, clique aqui.]
Postado por Bia às 00:01 6 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
mulheres
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Hemingway e a guerra
A primeira pessoa que me falou sobre Ernest Hemingway foi minha mãe. Eu era adolescente quando ela me contou que tinha lido O velho e o mar naquela mesma fase de vida, e tinha ficado encantada. Muitos anos mais tarde, minha mãe foi a Key West e saboreou um mojito em homenagem a um dos maiores escritores americanos, mas essa já é outra história.
Hemingway lutou na Primeira Guerra, morou em Paris, escreveu sobre touradas e a Guerra Civil Espanhola, ganhou um prêmio Nobel e se matou com um tiro de espingarda. O resumo é cru, mas creio que assim também foi a vida do autor.
Em In our time, primeiro livro de contos que ele escreveu, publicado em 1924, as histórias são entremeadas por interchapters, textos curtos e independentes.
O "Interchapter VII" diz assim:
While the bombardment was knocking the trench to pieces at Fossalta, he lay very flat and sweated and prayed oh jesus christ get me out of here. Dear jesus please get me out. Christ please please please christ. If you’ll only keep me from getting killed I’ll do anything you say. I believe in you and I’ll tell every one in the world that you are the only one that matters. Please please dear jesus. The shelling moved further up the line. We went to work on the trench and in the morning the sun came up and the day was hot and muggy and cheerful and quiet. The next night back at Mestre he did not tell the girl he went upstairs with at the Villa Rossa about Jesus. And he never told anybody.
Não vou fazer uma análise completa do conto, mas alguns pontos merecem destaque.
Hemingway trabalha com a ambientação a partir de palavras-chave em lugar de descrever o local. “Bombardment” (=bombardeio), “trench” (=trincheira) e “shelling” (algo como rajada de metralhadoras) sugerem que a história se passa durante uma guerra e que o personagem é um soldado.
Percebe-se que, no começo do conto, o personagem, desesperado, implora por misericórdia e reza a um deus a quem não mostra respeito: “jesus” e “christ” estão escritos em minúsculas, o que causa estranheza a principio, mas que logo se explicará. Na parte final, vemos que as promessas do personagem não passaram de palavras de ocasião. Tão logo ele escapa do bombardeio, ele esquece as juras e se entrega ao prazer com uma mulher da Villa Rossa.
O contraste notável entre o começo e o fim do conto acentua-se mais ainda quando destacamos dois segmentos do texto: “getting killed” e “the sun came up”. A idéia de morrer contrapõe-se à idéia de renascimento, simbolizada pelo sol. O dia quente, alegre e silencioso, que nasce após o bombardeio, apaga o terror e o desespero experimentados pouco antes.
Outros textos de Hemingway falam sobre a guerra e a violência, como Adeus às armas (A Farewell to Arms, 1929) e Por quem os sinos dobram (For Whom the Bells Toll, 1940). Os textos também falam do amor, embora sem romantismos, em linguagem simples e clara.
Para quem quiser testar os conhecimentos sobre Ernest Hemingway, tem um teste aqui.
Postado por Bia às 14:34 4 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
literatura americana
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Baudelaire e o duplo (2)
Um dos poemas de Baudelaire de que mais gosto é Hino à Beleza (Hymne à la Beauté), construído em cima de diversos duplos:
Vens do fundo do céu ou do abismo, ó sublime
Beleza? Teu olhar, que é divino e infernal,
Verte confusamente o benefício e o crime,
E por isso se diz que do vinho és rival.
Em teus olhos reténs uma aurora e um ocaso;
Tens mais perfumes que uma noite tempestuosa;
Teus beijos são um filtro e tua boca um vaso
Que tornam fraco o herói e a criança corajosa.
Sobes do abismo negro ou despencas de um astro?
O Destino servil te segue como um cão;
Semeias a desgraça e o prazer no teu rastro;
Governas a tudo e vais sem dar satisfação.
Calcando mortos vais, Beleza, entre remoques;
No teu tesoiro o Horror é uma jóia atraente,
E o Assassínio, entre teus mais preciosos berloques,
Sobre teu ventre real dança amorosamente.
A mariposa voando ao teu encontro, ó vela,
“Bendito este clarão!” diz antes que sucumba.
O namorado arfante enleiando a sua bela
Parece um moribundo acariciando a tumba.
Que tu venhas do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! monstro horrendo e ingênuo! se de ti
Vêm o olhar, o sorriso, os pés, que abrem a porta
De um Infinito que amo e jamais conheci?
De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Se és capaz de tornar – fada dos olhos leves,
Ritmo, perfume, luz! – a vida menos feia,
Menos triste o universo e os instantes mais breves?
(Algumas Flores de As Flores do Mal. Trad. Guilherme de Almeida. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996)
Percebam que, durante todo o poema, o poeta utiliza a idéia do duplo: dois elementos que ora se antagonizam, ora se complementam. Somente nas duas primeiras estrofes temos céu e abismo, divino e infernal, benefício e crime, aurora e ocaso, herói fraco e criança corajosa.
O eu lírico, por sua vez, inicia o poema indagando de onde veio a Beleza, se do céu ou do abismo (primeira e terceira estrofes). Conforme a Beleza vai conquistando-o, o eu lírico desiste de descobrir a origem (“Que tu venhas do céu ou do inferno, que importa”, “De Satã ou de Deus, que importa?”) para apaixonar-se e gozar dos encantos da musa.
Postado por Bia às 08:54 2 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
literatura
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Baudelaire e o duplo (1)
Em minha aula sobre literatura contemporânea na última segunda-feira, discutimos Charles Baudelaire. O escritor francês, que morreu na segunda metade do século 19, influenciou muitos autores e críticos literários que vieram depois, gente como Mallarmé, Borges, Walter Benjamin, Verlaine e Rimbaud. É tido como o precursor do movimento simbolista e modernista na França.
Baudelaire dedicou grande parte dos últimos 20 anos de sua vida a traduzir e divulgar o trabalho de Edgar Allan Poe em língua francesa. Falei aqui sobre a teoria do conto de Poe. Baudelaire foi influenciado por Poe, além de Diderot, na elaboração de suas próprias teorias.
O escritor francês, assim como Poe, aponta a necessidade de equilíbrio entre dois elementos para que a arte atinja seu objetivo, que é o de ser esteticamente aprazível. Para Baudelaire, o belo é constituído de dois elementos: o eterno e o variável, o histórico e o temporário.
Podemos entender o elemento histórico-eterno como sendo a forma, a tradição ou mesmo a técnica, a que a arte está sujeita e das quais não pode escapar.
É no elemento variável-temporário, porém, que a arte consegue inovar: no assunto de que trata, que é reflexo da época, moda, paixão e dos interesses manifestados pela sociedade.
Na minha opinião, o que Baudelaire pregava era que os textos falassem do que era conhecido e familiar, que representassem o homem moderno de forma completa, levando em conta sua complexidade moral e psicológica.
Postado por Bia às 15:50 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
literatura
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Na contramão do que eu disse aqui, encontro a citação abaixo, frase do escritor mexicano Carlos Fuentes. Filhos de diplomatas mexicanos, ele nasceu no Panamá e morou em diversos lugares durante a infância, inclusive no Rio de Janeiro. É autor de muitos romance, como Aura e Os anos com Laura Diaz:
Não acredito que qualquer livro bom seja baseado em experiências reais. Livros ruins tratam de coisas que o escritor já sabia antes de escrevê-los.
Quem sabe eu ainda tenha chances...!
(Não achei a referência sobre o livro em que está essa citação; tropecei na frase dentro do site Quotations Book. Como estava em inglês, eu mesma a traduzi.)
Postado por Bia às 12:52 0 tartareaders
Tartatags:
citações,
crítica literária
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Bibliografia sobre romance policial
Acabo de colocar o ponto final em um ensaio, que me foi solicitado, sobre literatura policial. Responsável pela minha ausência deste casco pelos últimos dias, o assunto me é muito caro para que eu ficasse brava por não poder pensar em outra coisa.
Minhas últimas leituras, então, foram dedicadas a ler (ou reler) algumas obras críticas sobre a narrativa policial. Elas não são abundantes em português, mas, felizmente, possuo alguns bons títulos em inglês, embora ainda me faltem os basilares em francês.
Reli O que é romance policial (esgotado) e Literatura policial brasileira, ambos de Sandra Reimão, professora doutora com quem tive a oportunidade de conversar uma vez.
Reapreciei partes de O mundo emocionante do romance policial, de Paulo de Medeiros e Albuquerque, também esgotado. Embora o livro date de 1979, e por isso não inclui a imensa produção mundial dos anos 80 e 90, muitas considerações ainda são atuais.
Deliciei-me com Delícias do crime, de Ernst Mandel, uma visão marxista da literatura policial, e com Bloody Murder, de Julian Symons, outro livro antigo (de 1972), mas paradoxalmente atualíssimo.
Ainda passei os olhos por The Cambridge Companion to Crime Fiction, organizado por Martin Priestman - prova de que o meio acadêmico aos poucos se rende ao crime -, e por Whodunit?, seleção de ensaios organizada por H.R.F. Keating.
O resultado? Na minha opinião, ficou um bom ensaio. Resta saber se quem mo encomendou gostará.
Postado por Bia às 17:26 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
literatura policial,
livros,
meus textos
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Literatura brasileira contemporânea
Assisti hoje à primeira palestra do Colóquio Rumos Literatura, no Itaú Cultural, sobre o qual já comentei aqui. A prof. Regina Dalcastagnè, da UnB, falou sobre os riscos, problemas e as vantagens de ter como objeto de estudo a literatura brasileira contemporânea.
Falou-se sobre o preconceito acadêmico contra autores vivos e cuja obra, portanto, ainda não está acabada: está em construção, em constante mutação e da qual não se pode definir os rumos. Mas o mais importante desse colóquio foi marcar que a literatura brasileira contemporânea é tão importante quanto a canônica pelo simples fato de ser um retrato da geração em que está inserida e pela qual é produzida. Não interessa sua perenidade, mas o diálogo que estabelece entre a literatura e a realidade e o retrato que pinta dos elementos sociais de uma época.
Postado por Bia às 15:24 0 tartareaders
Tartatags:
crítica literária,
eventos,
literatura

