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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010



Leio no caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, uma entrevista com Martin Scorsese acerca de seu novo filme, A Ilha do Medo (Shutter Island), exibido fora de competição no Festival de Berlim.

Ok, é interessante saber as influências do cineasta e conhecer algumas (duas) histórias pessoais, mas a matéria é bem fraquinha. E o pior: ao falar do filme, a repórter simplesmente se esqueceu de dizer que é uma adaptação do excepcional thriller psicológico Paciente 67, escrito por Dennis Lehane, autor de, entre outros, Sobre Meninos e Lobos e Gone, Baby, Gone – este último transformado no filme Medo da Verdade pelo canastrão Ben Affleck, que, ainda bem, deixou o papel principal para seu irmão, Casey, muito mais competente.

Custava a moça se informar melhor ou, pelo menos, dar o devido crédito? Scorsese é bom, muito bom, mas nem ele seria capaz de fazer o filme que fez se não fosse Lehane. Tão, ou mais, importante quanto a estética do longa, é citar sua origem literária.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Castle, nova série do AXN


Assisti ontem ao episódio de estreia de Castle, nova série de TV do AXN. Adorei. Além de o protagonista ser um escritor best-seller de literatura policial, houve a participação especial de dois respeitados autores do gênero: James Patterson e Stephen J. Cannell. O jeito como eles discutiam a investigação do crime foi muito bom, praticamente metalinguistico. Sei que outros cameos virão, incluindo um de Michael Connelly, o que só me deixa mais empolgada para acompanhar a série.

Para quem se interessou, anote: Castle, quartas às 22h, no AXN.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sites interessantes (7)

Na verdade, hoje são dois blogs amigos.

O primeiro é o Romances Policiais, do Thiago Carvalho. Cada post traz a sinopse de um livro, com comentários do autor do blog. É um banco de dados dos livros do gênero.

Mais específico, o Textos & Thrillers trata só, como o nome diz, de thrillers, o que por si só já é uma atitude para lá de louvável. Dedicar-se a um gênero considerado tão descartável é bastante corajoso e ainda bem que alguém resolveu enfrentar o preconceito. Como se não bastasse, Flávia Andrade dá a sinopse do livro e reúne comentários do grupo de leitura de que faz parte, trazendo diversos pontos de vista e enriquecendo a pesquisa sobre cada título.

Ah, se todos os blogs fossem assim.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Lançamentos Companhia das Letras

E leio sobre dois lançamentos que me parecem interessantes:


Jogos sagrados, de Vikram Chandra, policial que se passa em Mumbai, na Índia, o que por si só já é curioso. Além disso, segundo o release que recebi, o livro tem influência de elementos tão díspares quanto histórias em quadrinhos e o romance do século 19. Parece uma bagunça, mas dizem que o livro é bom.

Janela indiscreta e outras histórias, de Cornell Woolrich, traz o conto que inspirou Hitchcock. Do autor, já li A dama fantasma e posso dizer que ele manda bem quando o assunto é estabelecer um suspense noir. E faz favor de reparar na capa, que está um escândalo de bacana.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Resenha: O MIstério da 13a Letra

Já está no ar mais uma colaboração com o Homem Nerd.

Leia a resenha de O Mistério da 13a Letra.

Divirta-se!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Resultado da Promoção O Mistério da 13ª Letra


E já foram escolhidos os ganhadores da promoção do livro do Andre Esteves, do Beco do Crime, editado pela Landscape.


Para saber se você foi o felizardo, clique aqui.


Se não foi, mesmo assim leia o livro, é bem bacana.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Conversando sobre literatura no SESC (2)

Essa semana tem mais uma tertúlia, organizada pelo Tiago Novaes.

A arte da ficção
Luiz Alfredo Garcia-Roza por Contardo Calligaris

Retirada de ingressos gratuitos na rede INGRESSOSESC.
Vagas Limitadas.

4a feira, 23/04, 20h
SESC Santo André
R. Tamarutaca, 302
Tel. 4469 1200

5a feira, 24/04, 20h
SESC Pinheiros
R. Pais Leme, 195
Tel. 3095 9400

terça-feira, 15 de abril de 2008

Nova resenha no ar



Clique aqui para ler a resenha que fiz sobre o livro O executante, de Rubem Mauro Machado.

É um excelente exemplo de como a literatura policial brasileira utiliza elementos estrangeiros e os adapta a nossa realidade.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Nova resenha no ar

Desta vez, debruço-me sobre a excelência de O enigma de Paris, de Pablo De Santis.

O texto foi publicado no Homem Nerd e, para conferir, é só clicar aqui.

domingo, 23 de março de 2008

Bia no Beco

O Beco do Crime, de Andre Esteves, autor de O mistério da 13a. letra, publicou meu texto sobre as mulheres e a literatura policial.

Originalmente, esse texto destinou-se a compor o especial do mês de março do Homem Nerd, que reuniu artigos de todos os colaboradores sobre a atuação feminina em diversas áreas do entretenimento.

Se quiser ler o que escrevi, vá ao Homem Nerd ou ao Beco.

terça-feira, 18 de março de 2008

Poe ou Zadig?

Apaixonada por listas que sou, descobri, em uma edição antiga do jornal britânico Daily Telegraph, uma lista intitulada 50 crime writers to read before you die. Elaborada pelo staff literário do jornal, não levou em consideração popularidade entre os leitores ou notoriedade entre os críticos; baseou-se apenas no gosto dos jornalistas.

Eu sei, listas sempre existirão, e essa é só mais uma. Então, por que citá-la? Porque, desta vez, há alguns nomes um pouco diferentes.

Ao lado dos óbvios Agatha Christie, Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle, estão Charles Dickens e Wilkie Collins. Na obra desses dois autores do século 19, o mistério e o sobrenatural são presenças marcantes. Dickens aparece com Bleak House, de 1852 (publicado no Brasil pela Nova Fronteira em 1986, com o título A casa soturna), e Collins, com The Moonstone, de 1868, inédito no Brasil, até onde sei.

A menção a autores que, tradicionalmente, não estão ligados à literatura policial suscita reflexão acerca do que pode ser considerado pertencente ao gênero. Antes de 1864, ano em que Poe publicou Os assassinatos da Rua Morgue, não havia segmentação da literatura em subgêneros, qualquer um. No entanto, é possível identificar elementos policias – como o desvendar de mistérios e a busca por criminosos – no teatro grego, em passagens da Bíblia, no Zadig de Voltaire. Poderiam, então, esses textos ser enquadrados como literatura policial?

Quando organizou a antologia de contos Crime feito em casa, Flávio Moreira da Costa incluiu textos de Machado de Assis, João do Rio, Dalton Trevisan e Caio Fernando Abreu. Gente que não é considerada “autor policial”, mas que escreveu histórias cuja atmosfera remete aos romances noir ou de enigma. Em entrevista ao site da editora Record, o antologista lembra que “na época de Machado não havia um modelo anglo-saxão de literatura policial”, e ressalta que o clima e a dramaturgia criados por certos autores são antecipatórios da literatura policial que se faz hoje no Brasil.

O modelo mencionado por Costa já não é mais absoluto, nem no Brasil nem no resto do mundo. Há escritores – como os brasileiros Rubem Fonseca e Marçal Aquino e os americanos Dennis Lehane e Michael Connelly, para citar apenas alguns nomes – que falam sobre o crime e a violência com abordagem crua e realista, passando bem longe do estilo consagrado por Agatha Christie e Conan Doyle.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Promoção Editora Objetiva

A editora Objetiva vai sortear exemplares de seus próximos lançamentos policiais no blog Romances Policiais, do amigo Thiago Carvalho.

Os livros são A mulher marcada, de Hakan Nesser, Morte em Dark Harbor, de Stuar Woods, e Echo Park, de Michael Connelly.

Para participar, clique aqui.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Resenha: O amor e outros objetos pontiagudos

Como falei aqui sobre Marçal Aquino e seus contos, resolvi ampliar um pouco o texto e escrever uma resenha para O amor e outros objetos pontiagudos no Homem Nerd.

Cliquem aqui para conferir.

Reflexões sobre a literatura policial brasileira

Acabo de ler dois textos sobre a literatura policial brasileira com os quais não tenho certeza se concordo. Olivia Maia publicou o dela em 18 de janeiro, no Le Monde Diplomatique Brasil, e Paulo Polzonoff comentou o texto da Olívia em um post hoje.

Coloco os links para que vocês também leiam e tirem suas conclusões. Eu ainda estou digerindo as duras palavras.

ET: Eu, hoje, experimentei o que é viver na Idade Média. Faltou luz durante boa parte do dia, o que, por um lado foi ótimo porque pude colocar minhas leituras em dia, mas, por outro, atrasou muito as postagens de hoje. Amanhã falarei sobre o que li e, quiçá, sobre os textos acima.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Bibliografia sobre romance policial

Acabo de colocar o ponto final em um ensaio, que me foi solicitado, sobre literatura policial. Responsável pela minha ausência deste casco pelos últimos dias, o assunto me é muito caro para que eu ficasse brava por não poder pensar em outra coisa.

Minhas últimas leituras, então, foram dedicadas a ler (ou reler) algumas obras críticas sobre a narrativa policial. Elas não são abundantes em português, mas, felizmente, possuo alguns bons títulos em inglês, embora ainda me faltem os basilares em francês.

Reli O que é romance policial (esgotado) e Literatura policial brasileira, ambos de Sandra Reimão, professora doutora com quem tive a oportunidade de conversar uma vez.

Reapreciei partes de O mundo emocionante do romance policial, de Paulo de Medeiros e Albuquerque, também esgotado. Embora o livro date de 1979, e por isso não inclui a imensa produção mundial dos anos 80 e 90, muitas considerações ainda são atuais.

Deliciei-me com Delícias do crime, de Ernst Mandel, uma visão marxista da literatura policial, e com Bloody Murder, de Julian Symons, outro livro antigo (de 1972), mas paradoxalmente atualíssimo.

Ainda passei os olhos por The Cambridge Companion to Crime Fiction, organizado por Martin Priestman - prova de que o meio acadêmico aos poucos se rende ao crime -, e por Whodunit?, seleção de ensaios organizada por H.R.F. Keating.

O resultado? Na minha opinião, ficou um bom ensaio. Resta saber se quem mo encomendou gostará.

domingo, 16 de dezembro de 2007

O que tenho visto por aí

Duas dicas sobre sites bacanas, em português, que tratam sobre literatura policial:

- Romances Policiais: blog de Thiago Carvalho, traz sinopses e impressões sobre a leitura de livros policiais. Bastante útil para consulta antes da sua próxima compra!

- Beco do Crime: site mantido pelo escritor André Esteves, traz contos e minicontos policiais, de suspense e terror. Oportunidade para novos escritores mostrarem seus textos.

domingo, 9 de dezembro de 2007

O poeta, de Michael Connely

Há alguns anos, eu trabalhava na Livraria Cultura quando, na hora de fechar a loja, deparei-me com um livro velho em cima de um dos bancos. Não pertencia à loja, era um livro usado, e logo imaginei que algum cliente o esquecera ali. Recolhi o volume e guardei-o em uma gaveta, certa de que o dono apareceria no dia seguinte. Passaram-se dias, semanas, um mês ou dois, acho, e ninguém apareceu. Consultei os outros vendedores e nada – o livro tinha sido abandonado.

Se há duas coisas que não suporto ver desamparadas são cachorrinhos e livros. Um dia, minha casa terá a honra de se tornar o lar de um cão magro e destratado, que engordará e receberá o nome Nero Wolfe. Enquanto isso não acontece, eu recolho os livros que surgem em meu caminho, e a eles dou um lar. Em sebos, se encontro um livro com dedicatória, procuro me disciplinar para adquiri-lo somente se for do meu interesse. Porque, na verdade, o que acontece é que sou acometida de uma profunda compaixão: se a pessoa a quem ele era destinado desprezou-o, vendeu-o, mercadejou o sentimento do presenteador, como eu poderia fazer o mesmo? Coitado, um livro não merece ser desprezado duas vezes. But that’s just me. E me afasto do tema principal deste post. Bom, retomemos.

O livro abandonado que acolhi chamava-se O poeta, romance policial americano publicado pela editora Best Seller, se não me engano em 1997. Comecei a lê-lo na mesma noite e logo fiquei impressionada com a narrativa forte, pesada e intensa, daquelas que dá gosto ler e em que a descrição dos eventos é tão importante e impressionante quanto seu desfecho.

O autor, Michael Connelly, escreve romances policiais à moda antiga. Fã declarado de Raymond Chandler, seus livros são ambientados na Los Angeles contemporânea, uma das cidades mais inspiradoras da ficção. Connelly foi repórter policial do Los Angeles Times e essa experiência está presente em muitos de seus livros. Seu principal personagem, protagonista de 13 dos seus 18 romances, é Hieronymus Bosch, detetive da polícia de Los Angeles cujo nome foi inspirado pelo pintor do século XV.

Em O poeta, Michael Connelly deixa Bosch de lado e nos apresenta Jack McEvoy, jornalista que investiga a morte de seu irmão gêmeo, policial vítima de um serial killer que deixa mensagens citando os poemas de Edgar Allan Poe. O livro acaba de ganhar nova edição, desta vez pela Record. Na esteira do lançamento, a revista Época publicou uma entrevista com o autor na edição desta semana, em que ele comenta a greve dos roteiristas em Hollywood e, mais importante, discute a função social do romance policial.

Connelly afirma que “o romance de crime tem a função de captar a realidade antes dos outros gêneros literários, é o veículo dos grandes dramas e dilemas atuais”. Eu não poderia ter me expressado melhor. Acho que o romance policial capta os instintos mais primitivos dos integrantes da sociedade em que está inserido e, dessa forma, é um dos mais fiéis retratos que se pode traçar.

But, then again, that’s just me.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Lançamento

Em breve estará disponível Lemniscata, livro de estréia de Pedro Drummond, a ser lançado pela editora Objetiva em dezembro.

O enredo bem humorado e com final surpreendente trata de Daniel Dorff, um pesquisador canadense que se torna o pivô de um grande mistério envolvendo sua família. Christian, seu irmão mais velho, professor da Universidade de Toronto, é preso sob a identidade de outro homem e recebe uma séria ameaça. A preocupação maior de Christian agora é proteger sua sobrinha Lorena, que está correndo perigo.

O livro é um autêntico thriller. O gênero ainda engatinha no Brasil, apesar de os leitores brasileiros serem grandes admiradores das aventuras norte-americanas. É de gente como Pedro Drummond e A.J. Barros (autor de Conceito Zero) que precisamos para criar raízes para o thriller tupiniquim.


Atualização (27/11/2007): acabei de receber o convite para a noite de autógrafos que estendo a todos vocês. Será na Livraria da Vila Lorena no dia 12 de dezembro, a partir das 19h:


sábado, 18 de novembro de 2006

Os brutos também amam

Ler é uma das minhas primeiras paixões e tem sido desde que me lembro por gente. Lembro que eu tinha 9 anos quando pedi dinheiro para minha mãe e comprei meu primeiro livro sozinha. Tenho o exemplar até hoje, um livro da Stella Carr chamado O Enigma do Autódromo de Interlagos. Meu primeiro livro foi um livro policial.

A Literatura Policial se tornou, desde então, the object of my affection. Sei que muitos consideram um gênero literário menor e alegam que é uma leitura de simples entretenimento, útil apenas para desligar do mundo lá fora, mas não é assim que eu vejo.

A Literatura Policial é um reflexo da sociedade que a cria, não se dissocia, não é ficção. Mas aqui não é o lugar para discutirmos isso, esse feudo pertence a Livraria do Crime, onde colunistas competente discutirão o tema a partir de Dezembro. Confiram, porque a briga é boa.

Para aqueles que buscam em suas leituras discussões mais profundas, dilemas morais acerca do bem e do mal (sorry, Nietzsche), recomendo que leiam alguns romances noir, principalmente os franceses. Estou terminando de ler É Sempre Noite, de Leo Malet. A realidade retratada pelo autor é a de um mundo irremediavelmente mau, em que a única opção é entregar-se ao apelo irresistível da sensação de poder que o crime proporciona, é render-se à embriaguez de não ter limites, de sentir-se livre plenamente, por mais paradoxal que isso soe.

O protagonista, Jean, é assim: soberano de seu próprio reinado. Ao mesmo tempo, o amor que sente por Glória é o único elemento que abala sua tranquilidade. Separei um trecho em que fica bem claro como a volúpia lhe tira a razão :

"Nossas coxas tocavam-se. Eu tremia um pouco, como que de frio. Através do tecido de sua saia, sua carne comunicou-me algum calor. (...) Eu queria respirar plenamente o perfume de Glória, aproveitá-lo até a saciedade. (...) As curvas e as mudanças de velocidade às vezes a jogavam contra mim e eu respirava seu perfume. Era gostoso: aquilo não devia acabar nunca... ou, então, acabar logo de uma vez, que não se falasse mais no assunto. Vi sem emoção precipitar-se contra nosso carro os enormes faróis amarelos de um caminhão. Eles me fascinavam como os olhos injetados de ouro de um monstro esperado. Minha mão, por uma ação própria, evitou o pior. Ela fez todo o necessário para impedir o choque. Agia com plena autonomia. Eu estava ao lado de Glória, e seu perfume - ou seu cheiro - penetravam-me por todos os poros. Nosso veículo deu uma guinada sem gravidade e evitou por pouco o encontro fatal.
(...)
Acabar assim, de repente, os dois, cada um empapado do sangue do outro... Mas nunca era tão simples assim."

Jean, no fundo, é um idealista romântico.

(Nota: essa sensação é a mola propulsora de um outro excelente livro, o brasileiro O Matador, de Patricia Melo - sem palavras para descrever o quão cru é o relato de Máiquel)
Atualização (22/Nov/2007): o site da Livraria do Crime está passando por reformulações para incluir, entre outras novidades, as colunas que mencionei aí em cima. Passem por lá de vez em quando para checar!