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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Encontro: Prática de escrita

É nesse sábado, dia 4, na Universidade Cruzeiro do Sul - Campus Anália Franco, o Encontro Prática de Escrita - Leitura, Feitura e Publicação.


As inscrições são gratuitas e a programação está pra lá de interessante. Tem Luis Eduardo Matta, autor do thriller bacana 120 Horas, falando sobre literatura e cinema, Marcelino Freire falando sobre oficinas literárias e discussões sobre o mercado editorial e literatura fantástica.

Só os céus sabem como ando precisada de uma dose de conversa literária. Ando pensando seriamente em cabular o casamento que tenho no sábado de manhã para ir a esse evento. Se, ao contrário de mim, você não tem de aplaudir noivas e comer bem-casados, vá ao encontro, ora.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Dia do escritor


25 de julho. Dia do escritor.

Mas escritor tem dia? Escritor tem dia, tem hora, tem lugar? Quem escreve não escreve todos os dias? A toda hora? Em qualquer lugar?

Parafraseando Damatta, o que faz um escritor, escritor?

Não é o dia, certamente. Tem dias que é tão difícil escrever... Parece que as palavras fazem rodízio e não circulam pelo centro expandido do meu pensamento. As palavras terminadas em vogal sofrem restrições às segundas-feiras, as palavras com sufixo -mente, -eza e -dade às terças-feiras, e por aí vai.

Não é a hora, tampouco. Todas as horas incitam a escrita. O momento em que a noite já não é mais noite, mas ainda não é dia. Bem cedo, quando o sol já se levantou, mas a cidade ainda não. De manhã, vestindo pijamas, com a bandeja de café-da-manhã ao lado do computador. A caminho do trabalho, rabiscando em cadernos, blocos, agendas, livros, verso de extratos bancários, num pedaço do papel de presente que embrulhava a caixa de bombons que você ganhou no dia anterior.

Será o lugar? Também me parece que grande parte dos lugares é propícia. Sala de espera de consultório médico ou laboratório, restaurante por quilo e o Parque Ibirapuera de manhã são ótimos para se escrever crônicas. Pousadas bucólicas na montanha ou um cruzeiro, para reflexões acerca da pequenez do ser humano, tanto em tamanho quanto de espírito. Alguns lugares são mais inspiradores que outros, claro. Fila de banco ou de cartório só para, a la Kafka, transformar o funcionário em um coleóptero.

Alguns diriam que é a crítica; outros, que é o público que faz um escritor. Eu, que morro de medo de mostrar o que escrevo, claramente nunca serei escritora se isso for verdade.

Seja o que for que faz um escritor, escritor, o importante é nunca parar, não esmaecer, arrefecer jamais. Escrever sempre.

Parabéns.


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Como ler um livro

Hoje em dia, em que nossa existência virtual rivaliza com a real, ler um livro pode ser considerado démodé, algo como as polainas de lurex dos anos 1970 (à la Julia Matos de Dancing Days), as carteiras OP com velcro e cores chocantes (para usar uma gíria da época) dos anos 1980 ou as calças baggy dos anos 1990 (não sei que moda foi essa, mas ainda bem que passou!).

Assim, é natural, se não fosse tragicômico, que existam manuais que ensinem as pessoas a ler livros. Em tempos de Orkut, Facebook, MySpace, Skype e outras modernidades quejandas, instruções de como usar esse objeto arcaico parecem necessárias.

Há, por exemplo, How to Read a Book (1940), o clássico de Mortimer Adler, que define regras para ler o chamado “cânone ocidental”, as grandes obras necessárias para a formação do pensamento inteligente, liberal e racional.

Adler analisa os tipos de conhecimento que podem ser adquiridos em livros, a forma com que o leitor apreende esse conhecimento e as modalidades de leitura que pode fazer. Segundo o professor, pode-se analisar a estrutura do texto, os argumentos usados para construir a tese do autor, mas é importante formarmos uma opinião crítica acerca do que lemos.


Enquanto Adler se detém em livros de não-ficção, Francine Prose se debruça sobre as obras literárias em Para Ler Como um Escritor (Reading Like a Writer, 2006), na minha cabeceira atualmente. A autora recomenda que o leitor preste atenção a cada detalhe do texto, desde a escolha das palavras até a construção do personagem, que leia nas entrelinhas o que realmente os grandes escritores quiseram dizer.

Uma das técnicas de que mais gosto é a de sublinhar palavras relacionadas a um determinado assunto importante para o enredo. O exemplo que Francine dá é o de um trabalho de escola que ela teve de fazer quando jovem. O professor de Literatura pediu que durante a leitura de Rei Lear, de Shakespeare, e, se não me engano, Édipo, de Sófocles, os alunos destacassem todas as palavras relacionadas ao tema da cegueira. Assim, seria possível comparar de que forma os dois autores constroem os personagens e suas características.

A idéia é excelente, na minha humilde opinião.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Não acredito que perdi...

Tardiamente, leio a notícia:


O livro A oficina do escritor - Sobre ler, escrever e publicar, do premiado escritor Nelson de Oliveira, será lançado nesta quarta-feira, 16 de abril, na Livraria da Vila da Vila Madalena (Rua Fradique Coutinho, 915 - SP - Tel: 11- 3814-5811), a partir das 19h. A obra reúne ensaios escritos a partir da experiência do autor em oficinas de criação literária para escritores com obras em formação, as quais vêm coordenando desde 2002. "Este manual, pequena caixa de ferramentas para a mecânica poética, nasceu de minha necessidade de organizar as constantes teóricas que, entra ano, sai ano, continuam inalteradas. Ele traz a minha resposta para cada pergunta insistentemente formulada nas oficinas", avalia Oliveira.

Quem lê o blog sabe que tenho Nelson de Oliveira em altíssima conta e o quanto o admiro e respeito. Não acredito que perdi a oportunidade de, mais uma vez, prestigiar o trabalho dele. Mas, tudo bem. Vou comprar o livro, mesmo assim, e recomendo a todos que gostam de escrever que também o façam.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Oportunidade para publicar seus textos (web)

O portal Literatura Livre foi lançado em janeiro com o objetivo de divulgar textos inéditos produzidos por autores desconhecidos da crítica literária e contribuir para o desenvolvimento dos leitores brasileiros.

O acesso aos textos é gratuito e o acervo, composto por textos inéditos, escritos por autores da nova geração, e também de gerações não tão novas assim, da literatura em língua portuguesa.

Também fazem parte do site discussões e dicas literárias, notícias e um banco de teses.

Para a publicação de textos, que também é livre, é necessário cadastrar-se na página.

Todos os textos concorrem, automaticamente, ao Concurso Literário Interativo do portal.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Pós-graduação: formação de escritores

Estão abertas as inscrições para as primeiras turmas do curso de Pós-Graduação lato sensu de Formação de Escritores, da ESDC, em São Paulo, com início no dia 7 de abril.

O curso promete: além de módulos muito interessantes, tem professores excelentes como Gabriel Perissé, Simone Paulino, Márcia Lígia Guidin, Nelson de Oliveira e Aldo Bizzocchi. Já tive aula com todos e garanto que são extremamente competentes e capazes.

Muito me alegra a iniciativa. Até agora, o único curso nesses moldes que eu conhecia é o da Unisinos, em São Leopoldo (RS) e que tem produzido literatura de muito boa qualidade. Quem sabe agora não é a vez dos paulistanos?

Para quem se interessar, amanhã à noite haverá uma apresentação do curso. Clique aqui para saber o endereço.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Oficina de criação literária

O curso acontece na Academia Internacional de Cinema e abrange técnicas, conceitos e elaboração criativa dos três principais gêneros literários: poesia, ficção (conto, romance, novela) e não-ficção (biografia, ensaio, crítica).

É composto por oficinas, seminários, palestras e consultoria de textos, além de saraus mensais e aula opcional de roteiro.

Os professores? Gente boa como Michel Laub, Rodrigo Petronio, Márcia Tiburi, Marcelo Rezende, Nelson de Oliveira, Flávia Rocha, Wagner Carelli e outros convidados.

As aulas começam na segunda-feira.

Informações pelo e-mail ou pelo telefone 3826-7883.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Oficina de escrita criativa (3)

A Viagem de Letras, na Vila Madalena, abre inscrições para oficinas que visam integrar escrita e desenvolvimento pessoal, ministradas por Andrea de Arruda Botelho, mestre em Psicologia e doutora em Ciências da Comunicação.

O próximo programa, "A Percepção e a Palavra", acontece nos dias 15 e 16/03 e se repete em 03 e 04/05. Já no dia 01/06 acontece o "Escrever e Fluir".

Mais informações no site.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Oportunidade para publicar seus textos (4)

Recebi o press release abaixo e achei bacana divulgar:


Andross seleciona contos para antologia de temática medieval


Anno Domini - Manuscritos Medievais é mais nova antologia da Andross Editora, organizada pelos escritores Claudio Brites (O Livro Negro dos Vampiros, da Andross) e Helena Gomes (Lobo Alpha, da Rocco, O Arqueiro e a Feiticeira, da Devir, e Aliança dos Povos, da Idea). A obra vai reunir tanto contos ambientados em realidades históricas quanto aqueles passados em universos mágicos inventados pelos próprios autores.

Raphael Draccon, autor de
Dragões de Éter, da editora Planeta, participará especialmente desta antologia com um conto de sua autoria. A capa será ilustrada por Octavio Cariello (The Queen of the Damned, de Anne Rice), conceituado desenhista de inúmeras HQs de editoras americanas, como a DC Comics e Marvel.

Autores interessados em participar da obra podem enviar seus textos para seleção até o dia 31 de março. O lançamento de
Anno Domini - Manuscritos Medievais acontece dia 19 de julho, na Casa das Rosas, em São Paulo.

O regulamento está disponível no site http://www.andross.com.br/. Mais informações na comunidade Anno Domini no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=46251734.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Considerações sobre o ato de escrever

“Evocações de lugares, pessoas, objetos; anotações de perdas, permanências e sentidos. Um narrador escreve para lembrar ou para, finalmente, esquecer?”(*)

À observação acima, eu acrescentaria: o narrador escreve para ser lembrado, para ser eternizado, talvez? E em que medida o escritor se confunde com o narrador? É possível segregar, dissociar um do outro?

Ficção não é diário; mas como escrever sem colocar-se, sem transferir-se, sem perder um pouco de sua identidade ao construir um personagem e, ao mesmo tempo, sem ser influenciado, modificado pelos rumos que a história toma?

Como escrever sobre uma experiência sem tê-la vivido? E, se vivê-la é a única forma de descrevê-la, então a ficção não passa de autobiografia?

Por outro lado, é preciso lembrar que a inventividade é parte integrante da alma que escreve e que a fantasia é o que serve de alimento estético para o escriba.

Podemos não estar presentes em todas as experiências sobre as quais escrevemos, mas certamente as vivemos em nosso imaginário, território livre para sermos qualquer um.

(*) trecho de abertura de artigo sobre o livro Arquitetura da memória, publicado na edição 32 da revista EntreLivros, a derradeira, conforme já comentei aqui.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Oficinas Língua Portuguesa


Já saiu a programação de fevereiro dos cursos oferecidos pela Editora Segmento, responsável pela publicação da ótima revista Língua Portuguesa. Recomendo o curso do Gabriel Perissé. Excelente professor; se ele é capaz de estimular a criatividade e a veia literária de um tamanduá, imagine o que fará por nós, pobres mortais?