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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Obra importante sobre Machado de Assis

Caros tartareaders,


é com muito orgulho que informo que já está nas livrarias o livro Machado de Assis: Ensaios da Crítica Contemporânea.

Organizado pelas professoras Márcia Lígia Guidin, Lúcia Granja e Francine Ricieri, o livro oferece uma visão representativa de Machado de Assis por estudiosos contemporâneos, de diversas linhas de pesquisa, permitindo um novo debate de idéias, olhares e descobertas sobre a vida e a obra do escritor.

Além disso, serve como referência para estudiosos e pesquisadores preocupados em compreender, à luz do século 21, um artista que acompanhou de perto 50 anos da vida social, cultural e política no Brasil.

A coletânea reúne ensaios de Alcides Vilaça, Antônio Carlos Secchin, Abel Barros Baptista, Francine Fernandes Weiss Ricieri, Gilberto Pinheiro Passos, Hélio de Seixas Guimarães, Ivan Teixeira, João Adolfo Hansen, John Gledson, José Luís Jobim, Juracy Assmann Saraiva, Lúcia Granja, Márcia Lígia Guidin, Marta de Senna, Paulo Franchetti, Sílvia Maria Azevedo e Ubiratan Machado.

Desta vez, minha humilde participação, como assistente da prof. Márcia Lígia, foi a compilação de dados biográficos de Machado de Assis, para compor a Cronologia da Vida e Obra.

Leiam, leiam. Fundamental para entender parte da literatura brasileira.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Para quem não gosta de ler (2)

Continuando o post abaixo (reparem como sou incapaz de falar de um assunto sem abrir parênteses, colchetes, chaves, posts e tudo o mais que o surrealismo me permitir, para criar conversas paralelas e associações que só fazem sentido na minha cabecinha atrapalhada - olha o tamanho do texto desses parênteses!, tsc, tsc, tsc, sou um caso perdido mesmo...), penso que todo mundo é um leitor em potencial. Basta descobrir o que se quer ler.

Por exemplo, suponhamos um estudante de Direito, nos primórdios da faculdade. Recomendar-lhe-ia que lesse alguns thrillers jurídicos, como os escritos por John Grisham e Scott Turow, ou algo como A Ira dos Anjos, de Sidney Sheldon. E, eu sei, estou me repetindo porque já falei de ambos antes. Mas o que esse estudante quer é vislumbrar os contornos que a vida profissional dele pode adquirir, ainda que fictícios.

Tomemos, então, uma adolescente de 15 anos. Imagino que o maior problemas delas ainda sejam as notas baixas, os meninos e a mãe. Que coisa melhor, então, do que ler O Diário da Princesa, a série inteira, e ficar imaginando que, na verdade, você não é filha dos seus pais e que, a qualquer momento, um mordomo de luvas brancas virá te resgatar dessa vida insuportável (sim, porque, na adolescência, tudo é hiperbólico) e revelar que você é a herdeira de uma pequena fortuna? E se estivermos falando de um garoto de 13 anos, vocês acham que ele não preferiria ser o Artemis Fowl, de Eoin Colfer, ou o Alex Rider, de Anthony Horowitz, dois mini-James Bonds do terceiro milênio? Eu sei que eu gostaria. Ou Capitães da Areia; sempre achei a marginalidade bastante atraente.

O aprendiz de leitor poderia ser, talvez, um rapaz de quase 30 anos, de origem humilde e sem muita instrução, mas que realmente se esforça para estudar e tentar uma carreira. Nesse caso, talvez eu recomendasse histórias da literatura brasileira que mostrassem os sentimentos da forma mais crua possível, que retrate a dificuldade que ele experimenta todos os dias. Algo como São Bernardo, de Graciliano Ramos, ou O Matador, de Patrícia Melo. Histórias com linguagem simples e que fazem com que o leitor médio se identifique com o enredo. Para esse rapaz, Cabeça a prêmio, de Marçal Aquino, então, é essencial.

E para uma dona de casa, de meia-idade, o que eu recomendaria? Talvez Quando Éramos Adultos, de Anne Tyler, ou Um Eco Muito Distante, de Muriel Sparks, ou Laços de Sangue, de Michael Cunningham, livros sobre família, tema tão querido quanto polêmico.

Para mulheres em busca de inspiração, Mulheres de Olhos Grandes, de Angeles Mastretta, ou A Casa das Sete Irmãs, de Elle Eggels. Histórias para pensar, lembrar e fazer ecoar.

Para homens em busca de inspiração, Nem Só de Caviar Vive o Homem, de J.M. Simmel, ou Caim e Abel, de Jeffrey Archer, pedras fundamentais da minha família.

Para adúlteros, Inimigos – Uma História de Amor, de Isaac Bashevis Singer, ou O Livro dos Ciúmes, de Carlos Trigueiro.

Para quem tem doença grave na família, e quer entendê-la, O Lugar Escuro, de Heloísa Seixas, Depois Daquela Viagem, de Valéria Piassa Polizzi, ou os contos, inéditos no Brasil, de Pretending the Bed is a Raft, de Nanci Kincaid.

Para quem tem doença grave na família, e quer afugentá-la, a fantasia da Trilogia do Universo, de Philip Pullman, ou Deuses Americanos, de Neil Gaiman, convidado da Flip.

Há, lógico, as dicas unânimes como, por exemplo, começar lendo contos ou crônicas, porque são mais fáceis, com as quais não concordo. Contos de Machado de Assis, como "Noite de Almirante", são repletos de significados que têm de ser entendidos. Crônicas? É um bom começo, sim, mas não queira debutar nos escritos de Nelson Rodrigues, o maior cronista do urbanismo carioca do século passado. Nelson não tem nada a ver com a fama que lhe impõe e deve ser levado muitíssimo a sério.

Dicas certeiras, como flores na véspera de Santo Antônio, são nomes como Isabel Allende, Agatha Christie, Conan Doyle e Luís Fernando Veríssimo, por exemplo, excelentes contadores de histórias. Mario Prata, cronista hilário do Estadão, também vale. Ruy Castro, com seus livros agradabilíssimos de ler, tanto pelo tema quanto pela habilidade narrativa, também é sério candidato.

A verdade é que não acredito em quem diz que não gosta de ler. Acredito que essa pessoa ainda não encontrou o livro que diz o que ela quer sentir.

Mas ele existe. Basta procurar.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Para quem não gosta de ler (1)

Um querido amigo, sabedor da minha mania por listas e, talvez, inspirado pelo rol que dediquei a Laura e Nina, pediu-me que pensasse em dicas de leitura para quem não gosta de ler. A Iphy, nova amiga velha, em comentário aqui no blog, também mo pediu algo semelhante.

Desde que recebi a incumbência, pus-me a pensar no óbvio. Se alguém não gosta de ler, não adianta recomendar livro nenhum. A pessoa não vai ler o que você indicar. Ela não gosta de ler, não tem nenhuma relação especial com os livros. Ela não entra em uma livraria como se estivesse pisando em solo sagrado, não faz reverência um sebo. Essa pessoa não desconfia do que há escondido nas páginas de um livro. Bom, até aí, você também sabe o que há lá, mas é justamente essa a sua paixão: descobrir, desvendar a existência oculta na ficção.

Mas, por amor ao argumento (eu adorava usar essa frase, nos meus tempos causídicos), suponhamos que essa pessoa, para te agradar, abra o livro que você recomendou. Você se encherá de esperanças, que intimamente sabe serem vãs, regozijando-se por ter trazido aquela alma escura e perdida à luz reveladora da literatura. Sua boa ação, no entanto, se reduzirá a pó quando seu pupilo acabar com sua pretensão pigmaleoa, declarando “nossa, que livro chato”.

Então, não se forma um leitor, não se torna leitor, nasce-se? Não, acho que não. Não nasci leitora, aprendi a ler e depois a ler. Mas, convenhamos, há aqueles em quem a leitura não desperta nada além de desconfiança (“Essa menina deve ter algum problema, só fica jogada no sofá, lendo”), escárnio (“Ler? Você gosta de ler? Putz, que careta”), asco (“Ai, credo, você vai ficar aí, lendo?”) e outras manifestações de repúdio.

Mas, tergiverso.

Talvez seja possível, sim, indicar livros para quem não gosta de ler. O segredo está em ser um tanto psicólogo, outro tanto professor e mais um tanto clarividente. Acredito que a única forma de despertar o gosto pela leitura é encontrar um livro com o qual a pessoa se relacione, ou seja, algo que fale a mesma língua do leitor, que trate de alguma particularidade da vida do leitor.

Para conquistar o leitor, o livro deve agir como um tsunami. Perdoem-me a metáfora pífia, mas insisto nela e digo que é preciso que as areias sejam reviradas, os coqueiros sejam arrancados e todas as certezas sejam abaladas para que um livro conquiste o leitor.

É responsabilidade por demais pesada para um punhado de folhas de papel impressas. Esperamos que elas sejam verdadeiros Alexandres, Átilas, Leônidas ou Césares, que travem batalha atuem com os leitores incautos e os conquistem de forma avassaladora, que vençam todas as resistências, que arrasem com todas as defesas e que o banquete da vitória seja repleto de palavras inéditas, idéias ousadas, enredos incômodos e associações inteligentes.

A verdade é que todos nós queremos ser dominados por um bom livro.

Sorte de quem já foi.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Nova coluna no ar

O mais novo Especial do Homem Nerd vai falar sobre diversos aspectos da Internet.

Como não poderia deixar de ser, coube a mim falar sobre a delicada relação entre a literatura e o mundo digital.

Quem se interessar pode ler o que escrevi sobre blogs, literatura e livros digitais.

domingo, 4 de maio de 2008

Da série: Por que ler os clássicos (1)

Não sou muito de fazer propaganda de lançamentos a menos que ache-os interessantes, como é o caso dessa coleçãozinha simpática da editora Globo.


Os livros são curtos (de 96 a 176 páginas), têm preço razoável (de R$18 a R$21) e foram escritos por gente séria (Barbara Heliodora, por exemplo, uma das maiores especialistas em Shakespeare no Brasil).

Se você ainda não se convenceu, leia um trecho dos livros sobre Borges, Dante e Shakespeare e vá correndo comprar os seus.