Tenho lido as notícias sobre o mercado editorial norte-americano e não são animadoras. Diversas livrarias independentes fecharam, grandes redes adiaram a abertura de novas lojas e as que se mantêm de portas abertas se queixam de que o movimento caiu.
Em uma tentativa de estimular a venda de livros neste fim de ano, um grupo de blogueiros e autores se reuniu no Books for the Holidays, um blog que dá dicas de presentes livreiros para o Natal.
É uma excelente idéia. Livros são um presente elegante, demonstram o bom gosto de quem presenteia e se tornam objetos únicos para quem é presenteado.
Adotem essa idéia:
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Dê livros de presente
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Encontro: Prática de escrita
É nesse sábado, dia 4, na Universidade Cruzeiro do Sul - Campus Anália Franco, o Encontro Prática de Escrita - Leitura, Feitura e Publicação.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Obra importante sobre Machado de Assis
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
Literatura digital
O futuro do livro, em relação à internet, volta e meia, é assunto de discussão entre jornalistas, livreiros, editores e outros personagens do mercado editorial. A impressão que tenho, cada vez que leio ou testemunho essa discussão, é de que as pessoas acham que o livro em papel não pode coexistir com o meio digital, o que não é verdade. Em um pequenino artigo que escrevi para o Homem Nerd, falei sobre os bons frutos gerados pela relação entre literatura e a Internet.
Projetos como o Gutenberg ou o Domínio Público reúnem a íntegra de textos clássicos para download gratuito. Inúmeros blogs e sites se dedicam a divulgar a literatura de novos escritores, gente que nunca teria tido chance de publicar seus textos se não tivesse sido descoberta pela Internet.
É lógico que a questão dos livros eletrônicos precisa ser considerada, mas acho difícil que um e-book tome definitivamente o lugar do livro impresso. Para gente como eu, grifadores compulsivos, sublinhadores viciados, marcadores inveterados, um livro eletrônico não tem a menor graça.
Ainda assim, é bacana destacar que a tecnologia permite que os textos utilizem recursos inaplicáveis à dupla papel-e-caneta, principalmente no quesito interatividade.
Por exemplo, podemos escolher o nome dos personagens ou que características eles terão. Podemos apontar no mapa por onde o personagem andará, que lugares visitará. Podemos ler o blog de um personagem ou seguir seus passos pelo Twitter. Podemos acompanhar, em tempo real, o autor escrevendo uma história. Podemos escolher o rumo que a história tomará.
Tudo isso é um pouco do que os seis autores reunidos pela Penguin UK fizeram no projeto We Tell Stories. Durante seis semanas, o site do projeto publicou obras de literatura digital, textos amparados em ferramentas exclusivas da Internet.
Liberdade de criação adquire novo significado.
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Clube do Livro
Quando eu era criança, meus pais me incentivavam muito a ler. Minha mãe, e a mãe dela, sempre foram boas leitoras. Até hoje o são, embora em ritmo diferente: se antes o andamento era vivace, hoje está mais para allegro ma non troppo.
Para que pudéssemos, então, criar o hábito da leitura, meus pais se associaram ao Círculo do Livro. Lembro-me de que adorava os informativos e lia a revista, do começo ao fim, com a mesma atenção que eu dedicava aos livros estampados naquelas páginas, anotando à margem todos os títulos que tentaria convencer meus pais a comprar.
Alguns anos depois, a empresa faliu e nunca mais ouvi dizer de iniciativa semelhante, a não ser pelo Music Club, da Abril, mas que era destinado a CDs. Metade dos livros de Agatha Christie que tenho são do Círculo do Livro e, a julgar pelo número de volumes que encontro em sebos São Paulo afora, imagino que muita gente fazia parte desse mesmo clube.
Vez ou outra aqui no blog, eu comento sobre o mercado editorial. Acho que não o faço com a mesma freqüência com que leio as notícias dando conta de que a situação não é das melhores, inclusive no maior mercado do mundo, o norte-americano. O Shelf Awareness relata diariamente o fechamento de livrarias independentes ou iniciativas de quem persiste nessa roça e tem de aumentar as vendas. Por outro lado, fusões milionárias e mudanças de linha editorial demonstram que as editoras também estão preocupadas com o futuro do livro.
Uma nova tentativa de agitar o mercado é o The New Progressive Book Club, assunto da coluna de hoje de Motoko Rich no NY Times. O esquema é bastante simples: os leitores são convidados a se associar e comprar 3 livros por 1 dólar cada, em troca do compromisso de adquirir outros 4 livros nos próximos 2 anos. A empresa garante que o preço dos livros será calculado de forma a competir com as gigantes online Amazon e Barnes & Noble e a garantir bons rendimentos para os autores.
Como o próprio nome diz, o novo clube do livro reúne obras com temática progressiva, seja lá o que isso quer dizer. Mas pouco importa o assunto. Acho que o destaque da notícia é, justamente, a criação de um clube do livro como mais uma tentativa de angariar leitores que, até nos Estados Unidos, estão rareando cada vez mais.
Penso que iniciativas assim poderiam ser implantadas no Brasil, mas pelas livrarias. Gente como Livraria Cultura, Martins Fontes ou Livraria da Vila, em São Paulo, a Livraria da Travessa ou a Argumento, no Rio, ou as Livrarias Curitiba, no sul do País, poderiam desenvolver projetos semelhantes. Um comitê formado por vendedores competentes (espécie em extinção em lugares como a Cultura, infelizmente) escolheria um ou dois livros por mês e os clientes participantes receberiam o livro em casa.
Montar uma operação como essa ou cuidar da logística não é meu departamento, Minha função aqui é dar idéias, simplesmente. Então, fica aí a sugestão.
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segunda-feira, 16 de junho de 2008
Literatura na bagagem
No hemisfério norte, onde o clima segue regras quase matemáticas, as pessoas se preparam para a chegada de cada estação do ano com a mesma intensidade como para a visita de um querido membro da família que não vêem há tempos.
Acho que, justamente por não morarem em um país-tropical-abençoado-por-Deus-e-bonito-por-natureza-mas-que-beleza como o Brasil, o verão é a época mais aguardada, quando europeus calçam havaianas de 15 euros, desnudam a brancura láctea nos parques municipais, levando a tiracolo uma sacolinha de livros escolhidos a dedo. Sim, porque o verão pede leituras específicas. Não é qualquer autor que resiste ao calor de 40 graus que cariocamente assola o Mediterrâneo em julho e agosto.
Não consigo falar em leituras de verão em um dia como hoje, em que São Paulo está com 15 graus, mas sensação térmica de 10 graus. É um exercício de imaginação além da minha, não orna. O britânico The Guardian, ao contrário, conseguiu muito mais.
Em artigo publicado no sábado, o jornal pediu a diversos autores que fizessem uma lista de livros para serem lidos durante as férias de verão, de acordo com o lugar para onde pretendem, em teoria, viajar. Entre as sugestões, ler Goethe na Sicília, John Fante em Los Angeles, Saul Bellow em Chicago, Salman Rushdie e Jhumpa Lahiri na Índia, Mehmet Murat Somer na Turquia (interessei-me por este que, ao que parece, escreve histórias policiais em que o detetive é um travesti; insólito, para dizer o mínimo), Murakami e Tanizaki em Tóquio, e muito mais. Mas bacanas mesmo são as sugestões de Colm Tóibín para uma viagem ao Brasil.
Colm Tóibín, autor irlandês de quase 20 livros (alguns publicados no Brasil, como A História da Noite e A Luz do Farol), cita a coletânea de poemas, prosa e cartas de Elizabeth Bishop, registro de quase uma vida toda passada por aqui. A edição mencionada no artigo inclui tradução de poetas brasileiros e três contos de Clarice Lispector, a quem Tóibín chama de “strange Brazilian genius”, recomendando a leitura de A Hora da Estrela.
Tóibin também cita Os Sertões, de Euclides da Cunha, lembrando que o relato sobre Canudos, publicado em 1902, foi a inspiração para Vargas Llosa escrever A Guerra do Fim do Mundo, quase 80 anos depois, em 1981.
O irlandês continua o artigo dizendo que Macunaíma, de Mario de Andrade, mistura o herói cômico ao mitológico e, fazendo coro com Harold Bloom, atesta a genialidade de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Ele encerra a lista com Guimarães Rosa, “ricos, complexos e modernos, como o Brasil”.
A viagem de Colm Tóibín continua pela América do Sul, passando por Argentina, Chile e Colômbia, mas isso não interessa ao nosso orgulho tupiniquim. Bacana mesmo é ver impressos os nomes de alguns dos maiores autores brasileiros em páginas estrangeiras.
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
Rabisque seu capítulo
Ficcionistas desse país de meudeus: até a meia-noite de 16 de junho, vocês podem lascar o verbo em uma obra coletiva que será lançada na Bienal do Livro.
O Livro de Todos começou com um capítulo escrito por Moacyr Scliar e narra a história de um adolescente que teve seu computador portátil roubado. No roubo, foi levada também a história que o menino começava a escrever. A partir daí, internautas enviaram suas colaborações, com até 20 mil caracteres, que, depois de editadas por uma comissão, renderam mais 14 capítulos.
Será, no mínimo, curioso conferir o resultado desse patchwork.
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sábado, 3 de maio de 2008
Platônico e epistolar
Helene Hanff era uma escritora americana que, em 1949, tinha dificuldade para encontrar os livros por que procurava em Nova York, onde morava. Após ler o anúncio da Marks & Co em um jornal literário, ela passou a fazer suas encomendas nessa livraria de novos e usados localizada em Londres. As cartas trocadas entre Helene e o gerente da livraria, Frank Doel, de 1949 até 1968, foram reunidas em um fofo livro, publicado em 1971 (em 1988, no Brasil) e transformado em filme em 1987.

P.S. Cito, com esse post, a lembrança de duas pessoas de quem gosto muito: Elzinha, que me emprestou o livro há muitos anos (acho que ela nem se lembra!), e Will, companheiro da minha época de vendedora, que adorava essa história e recomendava o livro para todo o mundo. Beijos aos dois!
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sexta-feira, 2 de maio de 2008
Pareto e os livros
Desde o ano passado, a Secretaria Municipal de Cultura promove feiras de troca de livros em parques da cidade. Em 2007, a feira aconteceu em três parques: Carmo, Luz e Ibirapuera e, no total, foram efetuadas 11 mil trocas por 5.100 usuários.
Mais do que a louvável iniciativa da prefeitura, o que chama a atenção nessa notícia são os dados divulgados para apoiá-la. Segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro, metade dos livros lidos atualmente não é comprada: as obras são emprestadas, ganhadas ou trocadas. O brasileiro lê uma média de 1,8 livro por ano, enquanto o inglês lê 5 e o francês, 7. 47% dos alfabetizados declaram possuir no máximo dez livros em casa, enquanto 16% da população concentra 73% dos livros (Pesquisa Retrato da Leitura no Brasil/CBL).
Ao que parece, infelizmente o princípio de Pareto - aquele que diz que 20% das causas são responsáveis por 80% das conseqüências - também se aplica às bibliotecas pessoais brasileiras. A aplicação mais comum do princípio 80-20 é na administração de negócios (80% das vendas de uma livraria advém de 20% dos títulos expostos, por exemplo), mas é notável perceber a ocorrência em outras áreas, como a distribuição de renda no País ou a freqüência com que você usa suas roupas (80% do tempo você usa apenas 20% do seu guarda-roupa).
Para fazer parte, ou sair, das estatísticas, confira a programação das próximas Feiras de Troca de Livros e Gibis:
11 de maio
Parque Anhanguera (av. Fortunata Tadiello Natucci, 1.000, Km 24,5 da via Anhanguera, Perus, zona norte)
18 de maio
Parque Cidade de Toronto (av. Cardeal Mota, 84, City América/Pirituba, zona norte)
8 de junho
Parque da Luz (praça da Luz, s/no, Bom Retiro, Centro)
22 de junho
Parque Santo Dias (estr. de Itapecerica, altura do no 4.800, Capão Redondo, zona sul)
Sempre aos domingos, das 10h às 16h.
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Oportunidade para publicar seu livro
A editora da Universidade Federal Fluminense abriu inscrições para os interessados em publicar trabalhos inéditos, de qualquer área do conhecimento, com custos de edição e impressão a cargo da EdUFF/Propp. Segundo a coluna Informe Idéias, os editais estão disponíveis, na íntegra, no site Universidade Federal Fluminense, link editais.
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sábado, 12 de abril de 2008
E a lista continua...
O Daily Telegraph, de Londres, publicou uma lista (mais uma) que pretende indicar 110 livros para formar a biblioteca ideal. As categorias são Clássicos, Poesia, Ficção, Romance, Infantil, Ficçao Científica, Policial, Livro que Mudaram o Mundo, Livros que Mudaram o Seu Mundo, História e Biografias. A lista completa, você confere, em inglês, aqui.
Listas como essas sempre me fazem pensar em bolar um projeto de leitura, um desafio para mim mesma, como o de Mandi e o 200 Books, e relatá-lo aqui no blog. Não pretendo que minha experiência se tranforme em um livro, como Julie Powell e seu Julie & Julia (que li e é bárbaro e já vai virar filme*), já que minha lista contemplará apenas autores nacionais e duvido que Hollywood, Cinecità ou mesmo a Atlântida se interessem.
Lógico que não posso nem pensar em algo assim antes de terminar minha monografia sobre Literatura Policial Brasileira. Estou super atrasada e minha orientadora já cobrou o capítulo que eu deveria ter entregado há mais de um mês.
Mesmo assim, fiz uma lista (ah, essas listas...) dos autores que pretendo ler. A primeira idéia que tive foi algo como 100 livros em um ano, mais ou menos 1 livro a cada três dias e meio, e incluir, além da literatura, livros que falem sobre a cultura brasileira.
Quero que seja um panorama da literatura nacional, de 1500 até os dias de hoje. Talvez eu tenha dificuldade para escolher os títulos de literatura contemporânea; é muito mais difícil porque ainda não estão no cânone, não há como avaliar quais permanecerão, quais entrarão para a história, se me perdoam o trocadilho infame. Embora, vocês sabem, eu não ligue para cânones (se ligasse, não estudaria a desprezada Literatura Policial), acho que um projeto desses implica aceitar alguns dogmas.
Vamos ver o que acontece. Vou dando notícias.
(*) A direção e o roteiro do filme inspirado na vida da Julie estão a cargo de Nora Ephron, a mesma que escreveu Sintonia de amor, Mensagem para você e o estupendo Harry e Sally - Feitos um para o outro. Bom presságio, na minha humilíssima opinião cinematográfica.
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Feira de livros na USP
Seguindo a tradição do Campus Butantã, que faz sua feira de livros há nove anos, o Campus Leste preparou um evento do tipo, marcado para acontecer nos dias 7 e 8 de abril, no vão livre da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Av. Arlindo Bettio, 1000, da estação USP Leste). Mais de 40 editoras, cujos livros circunscrevem as mais diversas áreas do conhecimento, foram convidadas para a primeira edição da feira.
Fonte: CBL
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domingo, 16 de março de 2008
Variações sobre o mesmo tema
A título de curiosidade:
No Brasil, os livros, quase sempre, têm o mesmo formato: 14cm x 21cm. Em alguns casos, lançamentos mais importantes, e merecedores de uma campanha de marketing diferenciada, são publicados em formato 16cm x 23cm. De uns tempos para cá, editoras como a Companhia das Letras e a Record aderiram ao formato de bolso (12cm x 18cm), explorado quase exclusivamente pela L&PM durante anos a fio.
No EUA, a variação nos formatos dos livros é tão padronizada que cada um tem nome específico. Hardcover, Trade Paperback, Mass-Market Paperback são os mais utilizados. Essa diferenciação, mais do que estética, reflete a estratégia de lançamento de novos títulos. O caminho padrão é que o livro seja lançado em edição capa dura (hardcover) e meses depois em edição de bolso (mass-market).
O público consumidor de cada tipo de edição também é diferente, tanto que a maioria das listas de Mais Vendidos separa os números de cada um. O formato Trade Paperback, por exemplo, é destinado a uma literatura mais refinada e a um público mais letrado; custam em torno de US$ 14.95. Já Mass-Market é aquela edição em papel jornal, que custa entre US$ 6.99 e US$ 7.99.
Para quem quiser saber mais, um artigo no NY Times esclarece a diferença entre os tipos de edição encontradas no mercado norte-americano.
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Indicação
A Nina, em comentário ao post Abaixo a censura, pediu minha opinião sobre alguns livros para a filha dela, que tem 13 anos.
Nina, estou preparando uma listinha bem bacana e logo mais coloco aqui, tá?
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quinta-feira, 6 de março de 2008
Ler, de novo, pela primeira vez
Uma das newsletters que recebo diariamente se chama Shelf Awareness (nome que eu simplesmente adoro! Precisa ver a cara do Buda que tem no logo deles, é ótima!). Vez ou outra, além das notícias do mundo livreiro americano, o boletim traz entrevistas com autores. Eles são, quase sempre, ilustres desconhecidos para mim, e as perguntas, sempre as mesmas, num estilo pingue-pongue que não me atrai. Apesar disso, eu sempre leio a entrevista. Vai entender...
Acho que insisto porque tem duas perguntas que me fazem pensar, desde a primeira vez que as li. Uma é “qual o livro que você fingiu ter lido”. O meu foi Dom Casmurro. Li pela primeira vez aos 30 anos. Fingi ter lido quando tinha 15 anos, e continuei fingindo anos a fio depois. Houve uma época em que eu me preocupava com as leituras canônicas, achava que tinha de ler todos os livros daquelas listas tipo “os 100 maiores livros da História”, “os 99 maiores romances do mundo moderno”, "as 69 melhores histórias de sexo desde a Idade Média” e outras coisas do gênero. Ainda quero ler vários livros presentes nessas listas, mas não me pauto mais por elas.
A outra pergunta é “qual o livro que você gostaria de ler de novo pela primeira vez". Ah, isso sim, seria maravilhoso. Imagino ter 13 anos de novo e abrir O menino no espelho, de Fernando Sabino pela primeira vez. Ou quando ganhei o primeiro livro que meu namorado comprou para mim, Cem anos de solidão, de Garcia Márquez, e quase não dormi naquela noite, devorando a saga dos Buendía.
Não sei vocês, mas eu “economizo” os autores que gosto. Compro os livros, mas nunca leio todos de uma vez só. Sou capaz de guardar um livro na estante por um ano ou dois, sem nem abrir. Só de pensar que, depois de ler todos os livros de meu autor preferido, eu posso correr o risco de não ter mais nada inédito, ter de esperar o próximo livro... que agonia. Pelo mesmo, nesse meu método esquisito, se eu estiver passando por uma crise de abstinência, é só correr para a prateleira e pegar um dos “itens de reserva”.
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Livro grátis para download
A editora americana Random House dá mais um passo em sua nova estratégia de marketing.
Até a meia-noite de hoje, o texto integral de Beautiful Children, romance de estréia de Charles Bock, está disponível para download aqui.
A história gira em torno do desaparecimento de Newell Ewing, de 12 anos, em Las Vegas. Os pais do garoto não sabe o que aconteceu com ele. Enquanto eles lidam com o mistério, a ausência e a ignorância, vemos que as circunstâncias do sumiço de Newell e outros acontecimentos da mesma noite estão interligados e afetam a vida de pessoas que, à princípio, nada têm em comum.
O livro tem recebido elogios. Já peguei a minha cópia, mas ainda não comecei a ler. Assim que eu terminar, comento por aqui.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
So many books, so little... space
Ex Libris, de Anne Fadiman, é um livro sobre livros, um dos mais agradáveis que já li. A autora reuniu diversos ensaios, recheados de notas autobiográficas, que são simplesmente deliciosos de se ler. Em um deles, Anne conta como ela e o marido finalmente reuniram suas bibliotecas em uma mesma estante. A descrição de como eles dividiram os livros e organizaram os autores é adorável.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008
O futuro do livro
Em versos com sotaque britânico, encontro uma reflexão sobre o livro, sua condição passada, presente e futura.
Clique aqui para ouvir, ler, deleitar-se com as figuras. Bem bacana.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Incentivo à leitura
Volta e meia, em conversas e discussões sobre o índice de leitura no Brasil, as pessoas se espantam, se revoltam ou se conformam com o número divulgado em 2001: 1,8 livro per capita por ano.
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Livros piratas
Li aqui o desabafo de uma autora sobre o download ilegal de seus livros. Pelo o que eu entendi, existem sites que compartilham e-books entre os usuários, algo como o Napster fazia com músicas antigamente, antes de ser fechado.
A autora em questão é Diana Holquist, que escreve romances água-com-açúcar-e-pimenta (leia-se, romances bobinhos com cenas de sexo). A pessoa que fez o download se justificou dizendo que não tinha encontrado o livro para comprar, em lugar nenhum (o que eu duvido seja verdade; ela tem acesso à internet para baixar o livro, mas não tem para comprar o livro na Amazon?).
Não vou analisar se os livros de Ms. Holquist são bons ou não, mas não posso deixar de me sensibilizar com esse incidente. Eu não tinha parado para pensar nisso, até agora, e sinto-me dividida.
De um lado, o respeito que tenho por autores em geral. Eu trabalho para eles, uma de minhas funções é ajudá-los a escrever melhor, é fazer pareceres técnicos que os guiem em direção a um livro de sucesso, é colocar meus (parcos) conhecimentos da língua portuguesa a serviço de quem se aventura a escrever um livro.
Por outro lado, ainda me espanto com o preço de determinados lançamentos. Sei que é uma saia justa, que as editoras não estão ganhando rios de dinheiro ultimamente, mas alguns valores estão exorbitantes.
E, no meio do caminho, há os sebos, físicos e virtuais. Mesmo que, hoje em dia, os sebos não tenham preços tão mais baratos como antes, ainda são opções mais em conta.
Aqui no Brasil (não sei como é nos outros países, mas imagino seja igual), ainda temos o problema do xerox. Embora o problema esteja amenizado pela lei, é claro que, com jeitinho, você ainda encontra gente disposta a copiar livros inteiros.
Qual seria a solução?
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