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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O conde de Mr. Archer

Não tenho vergonha nenhuma de dizer que Jeffrey Archer foi, junto com Sidney Sheldon, responsável por distrair-me durante inúmeras tardes da minha adolescência. Não me lembro quando li Caim e Abel (Kane & Abel, 1979) pela primeira vez, mas me lembro de ter ficado apaixonada pela história. O livro acompanha dois homens – nascidos no mesmo dia, mas em locais e condições as mais opostas possíveis – durante 60 anos e três gerações. A rivalidade entre os dois é assustadora e envolvente.

Mr. Archer, assim como Mr. Sheldon, perderam um pouco a mão nos últimos livros. Filhos da sorte (Sons of fortune, 2003) não chega ao rodapé de Caim e Abel, talvez porque tenha sido o primeiro livro lançado depois que ele lançou saiu da prisão – em 2001, o autor foi condenado por perjúrio e ficou preso por dois anos.

No próximo dia 7 de março, Mr. Archer lançará mais um livro. A Prisoner of Birth é uma releitura de O conde de Monte Cristo, em que a história é transferida para a Londres atual. Muito me agrada a idéia, já que considero Monte Cristo um folhetim delicioso. Todos os elementos essenciais para que possamos nos divertir sem culpa estão lá: amor, traição, vingança. Edmond Dantès é um personagem odioso e cativante ao mesmo tempo, sua determinação é admirável. Quem não quiser ler o catatau de Alexandre Dumas, recomendo a versão cinematográfica estrelada por Jim Caviezel e Guy Pierce. A fotografia é belíssima.


Ao que parece, estou entrando em uma fase de reconciliação com os autores pop que pululavam em minhas prateleiras na adolescência e época da faculdade: primeiro, falei sobre John Grisham e, agora, Jeffrey Archer. Será nostalgia, já?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Sobre Adrian Lyne

Rever filmes sempre acrescenta algo novo à impressão que eles me causaram quando os vi pela primeira vez. Por exemplo, rever os três primeiros episódios de Guerra nas Estrelas depois de assistir os três últimos – em ordem de filmagem, bem entendido – mostra como os efeitos especiais evoluíram desde 1977. Ou rever Uma secretária de futuro, com Melanie Griffith e Sigourney Weaver, e se dar conta de que, ainda bem, os anos 80 passaram e, com eles, os cabelos, as roupas e toda a paranóia yuppie.

Pois bem, hoje à noite eu revi Proposta Indecente, dirigido por Adrian Lyne e estrelado por Robert Redford, Demi Moore e Woody Harrelson. Todos vocês lembram do filme. Sobre ele, farei apenas dois comentários: primeiro, a história é clichê; segundo, a história é inverossímil. Clichê, porque a história de pessoas perfeitinhas que são tentadas pela ganância ou luxúria não é novidade. O Advogado do Diabo, Ligações Perigosas, entre tantos outros, falam sobre a impossibilidade de resistir à tentação, seja do sexo, seja do dinheiro. Inverossímil, porque na vida real o proponente se pareceria mais com o Olacyr de Moraes do que com Robert Redford. Mas não foi nada disso que chamou minha atenção.

Adrian Lyne dirigiu, segundo o site IMDB.com, nove filmes. Não tenho idéia de como são os dois primeiros, mas esses são os outros sete:

Flashdance - em ritmo de embalo (Flashdance, 1983)
9 ½ Semanas de Amor (9 ½ Weeks, 1986)
Atração Fatal (Fatal Attraction, 1987)
Jacob’s Ladder (1990) [eu assisti, mas não lembro o título em português. É um filme meio esquisito, com Tim Robbins. Não gostei.]
Proposta Indecente (Indecent Proposal, 1993)
Lolita (idem, 1997)
Infidelidade (Unfaithful, 2002)

O que me ocorreu, enquanto eu revia Proposta Indecente, foi que parece que Adrian Lyne está sempre buscando causar polêmicas, mas talvez a intenção dele não fosse somente essa. Talvez ele queira fazer com que as pessoas pensem e repensem as relações entre homem e mulher, mas não consiga. Acontece, porém, que ele é tão incompetente e tão clichê que seus filmes ficam no meio do caminho entre o erótico e o dramalhão. As pessoas assistem Adrian Lyne para pensar (ou fazer) sexo, mas preferem assistir Woody Allen para inspirar-se a discutir relacionamentos (ok, talvez Woody Allen seja um pouco neurótico demais, mas vocês entenderam o que eu quis dizer).

As mulheres nos filmes de Adrian Lyne são, quase sempre, desajustadas. Alex (Glenn Close, em Atração Fatal) não suporta levar um fora; Diana (Demi Moore em Proposta Indecente) é quem instiga o marido a aceitar o acordo milionário; Lolita (Dominique Swain no filme de mesmo nome) é uma criança, mas cheia de vontades de toda natureza; e Connie (Diane Lane em Infidelidade), apesar de ter realizado o sonho americano, não hesita em pular na cama do primeiro francês charmoso que aparece em um dia de ventania.

Curiosamente, é justamente nas mulheres que está a única coisa boa desses filmes. Glenn Close e Diane Lane foram indicadas ao Oscar. A cena em que Connie (Diane Lane) está no trem, voltando para sua vidinha suburbana depois de uma tarde com o amante, é uma das mais incômodas que já vi. Muito emocionada, ela se divide entre as lágrimas e o riso, entre o remorso e o prazer. A cena é muito bonita; não à toa foi escolhida para passar no telão durante a cerimônia do Oscar. Mesmo assim, o filme é ruim.

E os homens? Dan (Michael Douglas em Atração Fatal) é metido a garanhão e acha que consegue tirar de letra o fato de trair a mulher, desde que seja uma vez só. David (Woody Harrelson em Proposta Indecente) é metido a bonzinho e acha que consegue tirar de letra a traição da mulher, desde que seja por dinheiro e uma vez só. Humbert (Jeremy Irons em Lolita) é fraco e manipulado pela ninfeta. E Ed (Richard Gere em Infidelidade) é tão simplório que não vale a pena nem comentar.

Traição é um tema constante na filmografia de Adrian Lyne, apesar de mal abordado. Por isso, encerro esse post com dicas de dois filmes que, na minha opinião, foram muito mais felizes ao abordar o tema:

Por uma Noite Apenas (One Night Stand, 1997), com Wesley Snipes, Nastassja Kinski e Robert Downey Jr. – tem gente que odeia, mas eu adoro esse filme.

Closer – Perto Demais (Closer, 2004), com Julia Roberts, Clive Owen, Natalie Portman e Jude Law – de novo, tem gente que detesta, mas eu gosto muito. Já até me inspirei nesse filme para escrever um parágrafo.

Quem tiver sugestões de outros filmes sobre o assunto, pode mandar um e-mail, se quiser. Farei atualizações com os títulos que eu receber.

E.T.(1) Como vocês podem perceber, voltei de viagem mais cedo do que eu disse aqui.

E.T.(2) Se você leu até aqui, talvez queira ler sobre fidelidade em outro post.

Atualização (7/2/2008): Beija-flor sugere Jornada da Alma, baseado na correspondência entre Freud e Jung, sobre uma paciente chamada Sabina. Ela foi a primeira paciente em quem Jung aplicou as teorias do mestre Freud. Médico e paciente se tornam amantes e ela acaba por se tornar psicanalista também. Não vi o filme, mas a história parece muito interessante.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Bia's Daemon

domingo, 7 de janeiro de 2007

Home alone 2

Continuando minha saga cinematográfica, reporto a bem-sucedida aventura de assistir mais quatro filmes (um ontem e três hoje). Aí vai:

[1] Livrando a cara (Saving Face, 2004). O título, tanto em português quanto em inglês, é banal demais para esta jóia do cinema. Talvez seja tradução literal de alguma expressão em chinês, mas eu não sei, porque não falo chinês.

O filme se passa em NY e é sobre uma americana descendente de chineses e a mãe dela, viúva ainda jovem. As duas têm segredos sobre suas vidas amorosas e revelá-los não é algo que pensam fazer, já que o patriarca da família é super conservador e nada aberto a novidades.

Fazia tempo que eu não via um filme com inspiração chinesa. Há muito eu assisti Lanternas Vermelhas, um dos meus filmes preferidos e uma das fotografias mais belas que já assisti. Depois dele, vieram mais recentemente O Tigre e o Dragão, Herói e O Clã das Adagas Voadoras. Neste último o uso das cores me impressionou tanto que houve cenas em que não consegui prestar atenção na história, tive que voltar o filme e assistir de novo.

Ah, detalhe: Joan Chen faz o papel da mãe viúva. Para quem não sabe quem ela é, ela esteve em O Último Imperador e é a diretora de Outono em NY (com o canastrão Richard Gere). Ela esteve também em Twin Peaks e é por esse papel que a lembrarei para sempre. Um dia conto mais sobre Twin Peaks e tudo o que significa para mim.

Bottomline is, assistam o filme. Para as mulheres, assistam com suas mães ou filhas. Para os homens, assistam sozinhos e reflitam sobre quão difícil é para uma mulher equilibrar todos os malabares que a vida joga.

[2] Dom, 2003. Mais um filme brasileiro. Porque uma das minhas resoluções de ano novo (no ano passado, note-se) era a de assistir a um filme brasileiro por mês. Não logrei cumprir meu intento, então neste fim de semana tentei fazer a média com os astros. Assisti a três filmes nacionais (o outro, eu comento aí embaixo).

Filme bacana inspirado em Dom Casmurro. Sabe que eu reli o livro quando fiz 30 anos. Eu havia lido com 15 anos, na época do colegial, e acho que nem consegui terminar. 15 anos depois, aos 30, eu reli. Sinto que cada capítulo de Dom Casmurro encerra em si uma história à parte, um conto, um microconto, uma divagação que seja. Bárbaro. Um dia vou ao Rio andar pelo Cosme Velho com um exemplar debaixo do braço, just getting the vibe.

Não vou dar minha opinião sobre a eterna dúvida, mas digo apenas que simpatizo com Capitu. A Capitu-Ana de Maria Fernanda Cândido no filme poderia ser a melhor amiga de qualquer um de nós.

[3] O Céu de Lisboa (Lisbon Story, 1994), de Win Wenders. Me lembro o primeiro filme de Win Wenders que assisti – Faraway, So Close. William Hurt e aquela alemã casada com o Win Wenders na época (esqueci o nome). Trilha do U2, bacana. Desde então, fico sempre de olho no alemão.

O Céu de Lisboa leva a medalha do final de semana. As cenas da cidade são lindas e ver Madredeus sempre é um prazer. Teresa Salgueiro está tão novinha, tão bonita, parece uma escultura, nem parece de verdade de tão perfeita.

E a música, ah meu Deus, a música...!!! Madredeus é avassalador, todo mundo precisa conhecer. Mas precisa de maturidade, precisa estar aberto para que a voz delicada da Teresa entre e faça morada.

As cenas de Lisboa me deixaram com ainda mais vontade de visitar Portugal. Já faz algum tempo, um par de anos, que estou mimando a terrinha, com vontade de conhecer Lisboa, Coimbra e Porto, ah, Porto! E os vinhedos, e os azeites, as azeitonas, o queijo de cabra que sei que tem em uma região do Norte que não me lembro mais o nome? Paro por aqui porque estamos falando do filme. Para Portugal voltaremos em outro post.

[4] A Cartomante, 2005. Mais um filme brasileiro, mais um inspirado em Machado. Não tão bom quanto Dom, mas bacaninha. Lógico que o conto do bruxo é muito mais interessante, mas cumpri minha missão.

E assim, chegamos ao final da minha epopéia. Nove filmes: brancos, negros e chineses se misturam na minha cabeça ao término deste fim de semana. Alguns traíram, outros pediram perdão, outros descobriram que suas vidas eram um script.

Obrigada pela companhia de todos vocês, atores, atrizes e diretores. Neste, que foi o fim de semana mais solitário dos últimos tempos, vocês foram de grande ajuda.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Home alone

Acho que quebrei um recorde pessoal. Eu assisti a cinco filmes em menos de 24 horas. É, vocês leram direito: 5, 5 filmes inteiros! Isso que dá ficar sozinha em casa no fim de semana.

Ontem fui até a locadora, o que eu não fazia há muito tempo. Sempre que eu pensava em alugar algum DVD eu lembrava da tv a cabo e mudava de idéia. Justo eu, que tive meu primeiro emprego em uma videolocadora a duas quadras da minha casa.

Bom, o post é para dar as dicas do que eu assisti. Os que mais gostei foi o Spike Lee e Family Stone.

[1] Dizem por aí (Rumor has it, 2005), com Jennifer Anniston, Kevin Costner, Mark Ruffalo e a excelente Shirley MacLaine. O filme é uma comédia romântica com tudo o que uma comédia romântica tem que ter: mocinha simpática, mocinho bonitinho, um terceiro elemento charmoso e uma avó destrambelhada. A história é ok e o final previsível, mas quem liga? Quando a gente aluga um filme desses é justamente para não ter surpresas, a gente sabe o que vai acontecer no final e isso dá uma sensação de conforto deliciosa. Às vezes, é só isso que a gente precisa: saber que no final tudo vai ficar bem.

(Abro parênteses para falar sobre a Jennifer Aniston. Quando Meg Ryan começou a ficar meio velhusca para comédias românticas, muito se falou em quem a substituíria na preferência hollywoodiana. Jennifer Aniston faz isso muito bem, junto com Reese Witherspoon e Kate Hudson. Sei que um monte de gente acha comédia romântica uma bobagem sem fim, mas eu gosto. E, repito, tem dias que tudo o que quero assistir é um final feliz. Alienante, mas feliz.)

Ah, o filme é dirigido pelo fofo Rob Reiner, que já fez Conta Comigo, Harry & Sally, A Princesa Prometida, Questão de Honra e Alex & Emma. O cara é batuta.

Melhor frase: Kathy Bates, como uma amiga da família – “All women become like their mothers; that is their tragedy. No man does; that's his.”


[2] Tudo em família (The Family Stone, 2005), drama familiar com Sarah Jessica Parker, Luke Wilson, Claire Danes, Diane Keaton (bacana). Gostei bastante do filme. Reparem que durante boa parte dele essa família infernal fica azucrinando a pobre coitada da Meredith só para não olhar para o próprio umbigo e enxergar os próprios defeitos. Pimenta nos olhos dos outros, sabe?


[3] O plano perfeito (Inside Man, 2006). Perfeito é o plano, mas magnífico é Spike Lee! Clive Owen também. As cenas são precisas e quem gosta de Spike Lee vai reconhecer alguns lances de câmera e a pizza que é entregue no banco (Sal’s Pizza, de Faça a coisa certa.


[4] Filhas do vento, 2005. Elenco incrível, boa história. Filme brasileiro sobre família e os problemas que todas elas têm, sejam brancas, negras, do interior ou da capital.


[5] Tentação (We don’t live here anymore, 2004). O mais fraquinho de todos. Já vi dezenas de filmes sobre traição e adultério bem melhores. Para citas dois preferidos: Infidelidade e Closer. Só me animei a assistir por causa do Mark Ruffalo, mas nem ele vale a pena.


É hoje ainda é sábado à noite. Já aluguei mais quatro filmes para assistir nas próximas 24 horas. Ê ócio...! Pelo menos minha cabeça fica ocupada e eu não fico pensando bobagens.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Mantra


Woosah...

(mantra para relaxamento entoado repetidamente pelo Papageno nesses últimos três dias - quem assistiu Bad Boys II, sabe do que eu estou falando...)

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Even Closer


Mais duas de "Closer", antes de dormir:
"If you believe in love at first sight, you never stop looking."
"Lying's the most fun a girl can have without taking her clothes off - but it's better if you do. "
O paradoxo, no meu caso, é que Alice é a personagem que tem as falas mais bacanas e eu não gosto muito da intérprete, Natalie Portman. Pra dizer a verdade, eu não gosto nada, acho essa moça bem chatinha (muito bobinha, não entendo como é que ela pode ser o amor da vida de Lord Vader!? tsc, tsc, tsc...)
Mas, anyway, eu adoro a personagem, acho que ela foi a que mais se deu mal com todo o swing, acho que o sofrimento dela foi real: não é bolinho ser rebound.