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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Reflexões sobre o conto

Da leitura de O que é conto, de Luzia de Maria, aprendi sobre os três modelos desenvolvidos por Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant e Anton Tchekhov.

Poe (1809-1849) escrevia seus contos de acordo com sua teoria do efeito único (de que falarei abaixo). Ele narrava os acontecimentos extraordinários, surreais ou inusitados. Maupassant (1850-1893), por sua vez, dedicou-se a contar acontecimentos simples, expostos em cadeias coordenadas e definidas, formando histórias com começo, meio e fim. Já Tchekhov (1860-1904) inova em seu formato, porque passa a tratar do não-acontecimento, ou seja, ele passa a se importar mais com o estado psicológico do personagem do que com a seqüência de eventos que levou o personagem àquelas reflexões.

Da leitura de Teoria do conto, de Nádia Batella Gotlib, aprendi sobre a teoria da unidade de efeito, de Poe.

Poe partia do princípio de que o texto literário sempre busca causar excitação ou exaltação no leitor. Por sua própria natureza, tal agitação é forçosamente transitória, isto é, não é possível manter o leitor em estado constante de arrebatamento. Assim, o escritor deve fazer com que seu texto dure exatamente o tempo que dura a excitação do leitor. Se o texto for longo demais, perder-se-á o efeito; se for curto demais, acabará antes de atingir seu objetivo. (Correndo o risco de soar chula, sinto que é inevitável fazer uma analogia, não muito literária ou elegante, com o ato sexual. Talvez Poe tenha pensado nisso, talvez não.) Concluo, então, que Poe era um entusiasta do conto, talvez por considerar o meio ideal para atingir seu fim.

Nunca é demais relembrar que, além de um indispensável teórico do conto, Poe é autor do texto considerado a pedra fundamental da literatura policial: Os crimes da Rue Morgue, publicado em 1841.

4 comentários:

Blog do Beagle disse...

Li uma porção de posts de uma vez. Nossa! Quanta informação deliciosa. Dá vontade de entrar no curso, assistir palestra, e por aí afora ... Estou trabalhando muito e não tenho como participar, mas bem que gostaria. Bjkª. Elza

Iphigênia disse...

Genial a comparação! Só nós, mulheres, sabemos como são esses dois graus extremos de frustração.

Bia disse...

Elza,
obrigada pelo elogio. Os cursos são mesmo muito bacanas, vale a pena participar quando tiver uma brecha.
Beijos

Bia disse...

Iphigênia,
fazer a comparação foi irresistível, mais forte do que minha (des)elegância.
Beijos