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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Página virada: Lua Nova e Eclipse

Terminei ontem de ler Eclipse, o terceiro livro da saga Crepúsculo, de que comentei aqui. Tinha terminado de ler Lua Nova, o segundo volume, na semana passada e agora só falta o desfecho, Breaking Dawn.

Se quiser saber o que eu achei, é só seguir os links aí de cima para as resenhas no Homem Nerd.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Nova resenha no ar

Desta vez, é a resenha de Coração Ferido, de Chelsea Cain, thriller que conta o embate entre uma sexy serial killer e um detetive traumatizado.


Leia o que achei do livro e tire suas conclusões.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

E chega de David Lynch

Minha participação no Especial David Lynch do site de entretenimento Homem Nerd terminou hoje, com a resenha sobre Coração Selvagem, o road movie que conta a história de amor de Sailor e Lula.


Logo mais, teremos reunião de pauta e eu aviso qual será o próximo especial.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mais David Lynch

Continuando com minha participação no Especial David Lynch, sobre o qual já falei há alguns dias, escrevi uma resenha do filme Veludo Azul.

O próximo filme é a história de Sailor e Lula: Coração Selvagem.

Aguardem.

sábado, 2 de agosto de 2008

Especial David Lynch

Já está no ar mais um Especial Homem Nerd. Desta vez, o homenageado é David Lynch, cineasta responsável por coisas estranhas como Cidade dos Sonhos e pérolas como Twin Peaks.

A mim coube a difícil tarefa de resenhar dois dos trabalhos mais antigos do diretor: Veludo Azul e Coração Selvagem. Além disso, escrevi um artigo sobre a experiência de assistir a exibição original de Twin Peaks na tv brasileira e um pequeno comentário sobre o personagem Dale Cooper e sua mania de gravar mensagens para a secretária Diane.

Espero que vocês gostem. Mesmo para quem não é fã de Lynch, vale a pena ler diversas opiniões sobre a obra desse controverso diretor.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Resenha: O MIstério da 13a Letra

Já está no ar mais uma colaboração com o Homem Nerd.

Leia a resenha de O Mistério da 13a Letra.

Divirta-se!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Nova resenha no ar



Clique aqui para ler a resenha que fiz sobre o livro O executante, de Rubem Mauro Machado.

É um excelente exemplo de como a literatura policial brasileira utiliza elementos estrangeiros e os adapta a nossa realidade.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Nova resenha no ar

Desta vez, debruço-me sobre a excelência de O enigma de Paris, de Pablo De Santis.

O texto foi publicado no Homem Nerd e, para conferir, é só clicar aqui.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Resenha - D. João Carioca

Tartareaders,

já está no ar, no site Homem Nerd, mais uma resenha feita por esta humilde escriba.

Desta vez, o objeto é D. João Carioca, de Lilia Moritz Schwarcz e Spacca, excelente história em quadrinhos recém-publicada para engrossar o beija-mão do bicentenário da vinda da família real portuguesa ao Brasil.

Quem quiser ler, clique aqui.

Obs.(1): De tempos em tempos, faço resenhas para o Homem Nerd sobre literatura, cinema e TV. A lista completa do que já fiz está aí do lado direito, sob o (óbvio) título "Resenhas que fiz".

Obs.(2): Nina, esse livro é bem bacana para a sua filha ler. Afinal, mesmo morando longe é bacana que ela conheça a História do Brasil, né?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Concurso de resenhas


Em sua newsletter mensal, o Goodreads anuncia seu primeiro concurso de resenhas. Funciona assim: o interessado deve escolher um entre três títulos sugeridos pelo site e enviar uma resenha. As melhores serão publicadas no site e o autor ganhará um vale-presente da Amazon. O único senão é que, imagino, as resenhas devam ser escritas em inglês.

Confira a newsletter:

Announcing the first Goodreads book review contest!Do you think your literary insight runs deeper than New York Times critic Michiko Kakutani's? Or maybe you're as succinct as movie man Roger Ebert? Show us what you've got! We've chosen three books for you to praise or disparage. Submit your reviews for consideration in the Goodreads Book Review Contest Group. The winning reviews will be featured as top reviews on Goodreads, and along with bragging rights, the best reviewers will also receive Amazon gift certificates.This month's categories:
New Fiction:
The Witch of Portobello by Paulo Coelho
New Nonfiction:
In Defense of Food: An Eater's Manifesto by Michael Pollan
Classics:
The Great Gatsby by F. Scott Fitzgerald

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Resenha: O amor e outros objetos pontiagudos

Como falei aqui sobre Marçal Aquino e seus contos, resolvi ampliar um pouco o texto e escrever uma resenha para O amor e outros objetos pontiagudos no Homem Nerd.

Cliquem aqui para conferir.

domingo, 9 de dezembro de 2007

O poeta, de Michael Connely

Há alguns anos, eu trabalhava na Livraria Cultura quando, na hora de fechar a loja, deparei-me com um livro velho em cima de um dos bancos. Não pertencia à loja, era um livro usado, e logo imaginei que algum cliente o esquecera ali. Recolhi o volume e guardei-o em uma gaveta, certa de que o dono apareceria no dia seguinte. Passaram-se dias, semanas, um mês ou dois, acho, e ninguém apareceu. Consultei os outros vendedores e nada – o livro tinha sido abandonado.

Se há duas coisas que não suporto ver desamparadas são cachorrinhos e livros. Um dia, minha casa terá a honra de se tornar o lar de um cão magro e destratado, que engordará e receberá o nome Nero Wolfe. Enquanto isso não acontece, eu recolho os livros que surgem em meu caminho, e a eles dou um lar. Em sebos, se encontro um livro com dedicatória, procuro me disciplinar para adquiri-lo somente se for do meu interesse. Porque, na verdade, o que acontece é que sou acometida de uma profunda compaixão: se a pessoa a quem ele era destinado desprezou-o, vendeu-o, mercadejou o sentimento do presenteador, como eu poderia fazer o mesmo? Coitado, um livro não merece ser desprezado duas vezes. But that’s just me. E me afasto do tema principal deste post. Bom, retomemos.

O livro abandonado que acolhi chamava-se O poeta, romance policial americano publicado pela editora Best Seller, se não me engano em 1997. Comecei a lê-lo na mesma noite e logo fiquei impressionada com a narrativa forte, pesada e intensa, daquelas que dá gosto ler e em que a descrição dos eventos é tão importante e impressionante quanto seu desfecho.

O autor, Michael Connelly, escreve romances policiais à moda antiga. Fã declarado de Raymond Chandler, seus livros são ambientados na Los Angeles contemporânea, uma das cidades mais inspiradoras da ficção. Connelly foi repórter policial do Los Angeles Times e essa experiência está presente em muitos de seus livros. Seu principal personagem, protagonista de 13 dos seus 18 romances, é Hieronymus Bosch, detetive da polícia de Los Angeles cujo nome foi inspirado pelo pintor do século XV.

Em O poeta, Michael Connelly deixa Bosch de lado e nos apresenta Jack McEvoy, jornalista que investiga a morte de seu irmão gêmeo, policial vítima de um serial killer que deixa mensagens citando os poemas de Edgar Allan Poe. O livro acaba de ganhar nova edição, desta vez pela Record. Na esteira do lançamento, a revista Época publicou uma entrevista com o autor na edição desta semana, em que ele comenta a greve dos roteiristas em Hollywood e, mais importante, discute a função social do romance policial.

Connelly afirma que “o romance de crime tem a função de captar a realidade antes dos outros gêneros literários, é o veículo dos grandes dramas e dilemas atuais”. Eu não poderia ter me expressado melhor. Acho que o romance policial capta os instintos mais primitivos dos integrantes da sociedade em que está inserido e, dessa forma, é um dos mais fiéis retratos que se pode traçar.

But, then again, that’s just me.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Lançamento

Em breve estará disponível Lemniscata, livro de estréia de Pedro Drummond, a ser lançado pela editora Objetiva em dezembro.

O enredo bem humorado e com final surpreendente trata de Daniel Dorff, um pesquisador canadense que se torna o pivô de um grande mistério envolvendo sua família. Christian, seu irmão mais velho, professor da Universidade de Toronto, é preso sob a identidade de outro homem e recebe uma séria ameaça. A preocupação maior de Christian agora é proteger sua sobrinha Lorena, que está correndo perigo.

O livro é um autêntico thriller. O gênero ainda engatinha no Brasil, apesar de os leitores brasileiros serem grandes admiradores das aventuras norte-americanas. É de gente como Pedro Drummond e A.J. Barros (autor de Conceito Zero) que precisamos para criar raízes para o thriller tupiniquim.


Atualização (27/11/2007): acabei de receber o convite para a noite de autógrafos que estendo a todos vocês. Será na Livraria da Vila Lorena no dia 12 de dezembro, a partir das 19h:


Ler ou não ler?

A revista EntreLivros do mês de outubro trouxe um comentário de Umberto Eco sobre um livro chamado Comment parler des livres que l'on n'a pas lus? (Minuit, 2007) – em bom português, Como falar dos livros que não lemos? O mesmo livro é objeto de resenha na revista Época dessa semana e, segundo o artigo, será lançado aqui no Brasil em janeiro, pela editora Objetiva.

Pierre Bayard, autor do livro e professor de literatura na Universidade de Paris, admite sem pudores que nunca leu Ulisses, de James Joyce. Ele diz que não precisamos ler a obra para poder falar sobre ela; o segredo é conhecermos sua classificação crítica.

Ou seja, não precisaríamos ler o livro, mas sim ler os livros sobre o livro. Algo como uma metaliteratura, penso eu. Não deixa de ser uma teoria interessante, mas um pouco temerária de ser divulgada em um país como o nosso.

Tanto o comentário de Umberto Eco quanto a resenha de Marcelo Bernardes sugere que o livro merece, ao menos, uma passada de olhos. Acho que, no fim, terei de ler o livro de Monsieur Bayard para tirar minhas próprias conclusões.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Especial Seriados no Homem Nerd

Clique aqui para ler a cobertura completa da temporada de estréias dos canais Sony e Warner.

A equipe do Homem Nerd preparou resenhas exclusivas para guiar você nesse intrincado mundo da TV. É, ué, o que vocês pensam? Tem comédia, tem drama, tem aventura, é muita coisa acontecendo! Mas, não se preocupe, nós fizemos o sacrifício e assistimos por você!

domingo, 7 de janeiro de 2007

Home alone 2

Continuando minha saga cinematográfica, reporto a bem-sucedida aventura de assistir mais quatro filmes (um ontem e três hoje). Aí vai:

[1] Livrando a cara (Saving Face, 2004). O título, tanto em português quanto em inglês, é banal demais para esta jóia do cinema. Talvez seja tradução literal de alguma expressão em chinês, mas eu não sei, porque não falo chinês.

O filme se passa em NY e é sobre uma americana descendente de chineses e a mãe dela, viúva ainda jovem. As duas têm segredos sobre suas vidas amorosas e revelá-los não é algo que pensam fazer, já que o patriarca da família é super conservador e nada aberto a novidades.

Fazia tempo que eu não via um filme com inspiração chinesa. Há muito eu assisti Lanternas Vermelhas, um dos meus filmes preferidos e uma das fotografias mais belas que já assisti. Depois dele, vieram mais recentemente O Tigre e o Dragão, Herói e O Clã das Adagas Voadoras. Neste último o uso das cores me impressionou tanto que houve cenas em que não consegui prestar atenção na história, tive que voltar o filme e assistir de novo.

Ah, detalhe: Joan Chen faz o papel da mãe viúva. Para quem não sabe quem ela é, ela esteve em O Último Imperador e é a diretora de Outono em NY (com o canastrão Richard Gere). Ela esteve também em Twin Peaks e é por esse papel que a lembrarei para sempre. Um dia conto mais sobre Twin Peaks e tudo o que significa para mim.

Bottomline is, assistam o filme. Para as mulheres, assistam com suas mães ou filhas. Para os homens, assistam sozinhos e reflitam sobre quão difícil é para uma mulher equilibrar todos os malabares que a vida joga.

[2] Dom, 2003. Mais um filme brasileiro. Porque uma das minhas resoluções de ano novo (no ano passado, note-se) era a de assistir a um filme brasileiro por mês. Não logrei cumprir meu intento, então neste fim de semana tentei fazer a média com os astros. Assisti a três filmes nacionais (o outro, eu comento aí embaixo).

Filme bacana inspirado em Dom Casmurro. Sabe que eu reli o livro quando fiz 30 anos. Eu havia lido com 15 anos, na época do colegial, e acho que nem consegui terminar. 15 anos depois, aos 30, eu reli. Sinto que cada capítulo de Dom Casmurro encerra em si uma história à parte, um conto, um microconto, uma divagação que seja. Bárbaro. Um dia vou ao Rio andar pelo Cosme Velho com um exemplar debaixo do braço, just getting the vibe.

Não vou dar minha opinião sobre a eterna dúvida, mas digo apenas que simpatizo com Capitu. A Capitu-Ana de Maria Fernanda Cândido no filme poderia ser a melhor amiga de qualquer um de nós.

[3] O Céu de Lisboa (Lisbon Story, 1994), de Win Wenders. Me lembro o primeiro filme de Win Wenders que assisti – Faraway, So Close. William Hurt e aquela alemã casada com o Win Wenders na época (esqueci o nome). Trilha do U2, bacana. Desde então, fico sempre de olho no alemão.

O Céu de Lisboa leva a medalha do final de semana. As cenas da cidade são lindas e ver Madredeus sempre é um prazer. Teresa Salgueiro está tão novinha, tão bonita, parece uma escultura, nem parece de verdade de tão perfeita.

E a música, ah meu Deus, a música...!!! Madredeus é avassalador, todo mundo precisa conhecer. Mas precisa de maturidade, precisa estar aberto para que a voz delicada da Teresa entre e faça morada.

As cenas de Lisboa me deixaram com ainda mais vontade de visitar Portugal. Já faz algum tempo, um par de anos, que estou mimando a terrinha, com vontade de conhecer Lisboa, Coimbra e Porto, ah, Porto! E os vinhedos, e os azeites, as azeitonas, o queijo de cabra que sei que tem em uma região do Norte que não me lembro mais o nome? Paro por aqui porque estamos falando do filme. Para Portugal voltaremos em outro post.

[4] A Cartomante, 2005. Mais um filme brasileiro, mais um inspirado em Machado. Não tão bom quanto Dom, mas bacaninha. Lógico que o conto do bruxo é muito mais interessante, mas cumpri minha missão.

E assim, chegamos ao final da minha epopéia. Nove filmes: brancos, negros e chineses se misturam na minha cabeça ao término deste fim de semana. Alguns traíram, outros pediram perdão, outros descobriram que suas vidas eram um script.

Obrigada pela companhia de todos vocês, atores, atrizes e diretores. Neste, que foi o fim de semana mais solitário dos últimos tempos, vocês foram de grande ajuda.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Home alone

Acho que quebrei um recorde pessoal. Eu assisti a cinco filmes em menos de 24 horas. É, vocês leram direito: 5, 5 filmes inteiros! Isso que dá ficar sozinha em casa no fim de semana.

Ontem fui até a locadora, o que eu não fazia há muito tempo. Sempre que eu pensava em alugar algum DVD eu lembrava da tv a cabo e mudava de idéia. Justo eu, que tive meu primeiro emprego em uma videolocadora a duas quadras da minha casa.

Bom, o post é para dar as dicas do que eu assisti. Os que mais gostei foi o Spike Lee e Family Stone.

[1] Dizem por aí (Rumor has it, 2005), com Jennifer Anniston, Kevin Costner, Mark Ruffalo e a excelente Shirley MacLaine. O filme é uma comédia romântica com tudo o que uma comédia romântica tem que ter: mocinha simpática, mocinho bonitinho, um terceiro elemento charmoso e uma avó destrambelhada. A história é ok e o final previsível, mas quem liga? Quando a gente aluga um filme desses é justamente para não ter surpresas, a gente sabe o que vai acontecer no final e isso dá uma sensação de conforto deliciosa. Às vezes, é só isso que a gente precisa: saber que no final tudo vai ficar bem.

(Abro parênteses para falar sobre a Jennifer Aniston. Quando Meg Ryan começou a ficar meio velhusca para comédias românticas, muito se falou em quem a substituíria na preferência hollywoodiana. Jennifer Aniston faz isso muito bem, junto com Reese Witherspoon e Kate Hudson. Sei que um monte de gente acha comédia romântica uma bobagem sem fim, mas eu gosto. E, repito, tem dias que tudo o que quero assistir é um final feliz. Alienante, mas feliz.)

Ah, o filme é dirigido pelo fofo Rob Reiner, que já fez Conta Comigo, Harry & Sally, A Princesa Prometida, Questão de Honra e Alex & Emma. O cara é batuta.

Melhor frase: Kathy Bates, como uma amiga da família – “All women become like their mothers; that is their tragedy. No man does; that's his.”


[2] Tudo em família (The Family Stone, 2005), drama familiar com Sarah Jessica Parker, Luke Wilson, Claire Danes, Diane Keaton (bacana). Gostei bastante do filme. Reparem que durante boa parte dele essa família infernal fica azucrinando a pobre coitada da Meredith só para não olhar para o próprio umbigo e enxergar os próprios defeitos. Pimenta nos olhos dos outros, sabe?


[3] O plano perfeito (Inside Man, 2006). Perfeito é o plano, mas magnífico é Spike Lee! Clive Owen também. As cenas são precisas e quem gosta de Spike Lee vai reconhecer alguns lances de câmera e a pizza que é entregue no banco (Sal’s Pizza, de Faça a coisa certa.


[4] Filhas do vento, 2005. Elenco incrível, boa história. Filme brasileiro sobre família e os problemas que todas elas têm, sejam brancas, negras, do interior ou da capital.


[5] Tentação (We don’t live here anymore, 2004). O mais fraquinho de todos. Já vi dezenas de filmes sobre traição e adultério bem melhores. Para citas dois preferidos: Infidelidade e Closer. Só me animei a assistir por causa do Mark Ruffalo, mas nem ele vale a pena.


É hoje ainda é sábado à noite. Já aluguei mais quatro filmes para assistir nas próximas 24 horas. Ê ócio...! Pelo menos minha cabeça fica ocupada e eu não fico pensando bobagens.

sábado, 18 de novembro de 2006

Os brutos também amam

Ler é uma das minhas primeiras paixões e tem sido desde que me lembro por gente. Lembro que eu tinha 9 anos quando pedi dinheiro para minha mãe e comprei meu primeiro livro sozinha. Tenho o exemplar até hoje, um livro da Stella Carr chamado O Enigma do Autódromo de Interlagos. Meu primeiro livro foi um livro policial.

A Literatura Policial se tornou, desde então, the object of my affection. Sei que muitos consideram um gênero literário menor e alegam que é uma leitura de simples entretenimento, útil apenas para desligar do mundo lá fora, mas não é assim que eu vejo.

A Literatura Policial é um reflexo da sociedade que a cria, não se dissocia, não é ficção. Mas aqui não é o lugar para discutirmos isso, esse feudo pertence a Livraria do Crime, onde colunistas competente discutirão o tema a partir de Dezembro. Confiram, porque a briga é boa.

Para aqueles que buscam em suas leituras discussões mais profundas, dilemas morais acerca do bem e do mal (sorry, Nietzsche), recomendo que leiam alguns romances noir, principalmente os franceses. Estou terminando de ler É Sempre Noite, de Leo Malet. A realidade retratada pelo autor é a de um mundo irremediavelmente mau, em que a única opção é entregar-se ao apelo irresistível da sensação de poder que o crime proporciona, é render-se à embriaguez de não ter limites, de sentir-se livre plenamente, por mais paradoxal que isso soe.

O protagonista, Jean, é assim: soberano de seu próprio reinado. Ao mesmo tempo, o amor que sente por Glória é o único elemento que abala sua tranquilidade. Separei um trecho em que fica bem claro como a volúpia lhe tira a razão :

"Nossas coxas tocavam-se. Eu tremia um pouco, como que de frio. Através do tecido de sua saia, sua carne comunicou-me algum calor. (...) Eu queria respirar plenamente o perfume de Glória, aproveitá-lo até a saciedade. (...) As curvas e as mudanças de velocidade às vezes a jogavam contra mim e eu respirava seu perfume. Era gostoso: aquilo não devia acabar nunca... ou, então, acabar logo de uma vez, que não se falasse mais no assunto. Vi sem emoção precipitar-se contra nosso carro os enormes faróis amarelos de um caminhão. Eles me fascinavam como os olhos injetados de ouro de um monstro esperado. Minha mão, por uma ação própria, evitou o pior. Ela fez todo o necessário para impedir o choque. Agia com plena autonomia. Eu estava ao lado de Glória, e seu perfume - ou seu cheiro - penetravam-me por todos os poros. Nosso veículo deu uma guinada sem gravidade e evitou por pouco o encontro fatal.
(...)
Acabar assim, de repente, os dois, cada um empapado do sangue do outro... Mas nunca era tão simples assim."

Jean, no fundo, é um idealista romântico.

(Nota: essa sensação é a mola propulsora de um outro excelente livro, o brasileiro O Matador, de Patricia Melo - sem palavras para descrever o quão cru é o relato de Máiquel)
Atualização (22/Nov/2007): o site da Livraria do Crime está passando por reformulações para incluir, entre outras novidades, as colunas que mencionei aí em cima. Passem por lá de vez em quando para checar!