Páginas

domingo, 7 de janeiro de 2007

Home alone 2

Continuando minha saga cinematográfica, reporto a bem-sucedida aventura de assistir mais quatro filmes (um ontem e três hoje). Aí vai:

[1] Livrando a cara (Saving Face, 2004). O título, tanto em português quanto em inglês, é banal demais para esta jóia do cinema. Talvez seja tradução literal de alguma expressão em chinês, mas eu não sei, porque não falo chinês.

O filme se passa em NY e é sobre uma americana descendente de chineses e a mãe dela, viúva ainda jovem. As duas têm segredos sobre suas vidas amorosas e revelá-los não é algo que pensam fazer, já que o patriarca da família é super conservador e nada aberto a novidades.

Fazia tempo que eu não via um filme com inspiração chinesa. Há muito eu assisti Lanternas Vermelhas, um dos meus filmes preferidos e uma das fotografias mais belas que já assisti. Depois dele, vieram mais recentemente O Tigre e o Dragão, Herói e O Clã das Adagas Voadoras. Neste último o uso das cores me impressionou tanto que houve cenas em que não consegui prestar atenção na história, tive que voltar o filme e assistir de novo.

Ah, detalhe: Joan Chen faz o papel da mãe viúva. Para quem não sabe quem ela é, ela esteve em O Último Imperador e é a diretora de Outono em NY (com o canastrão Richard Gere). Ela esteve também em Twin Peaks e é por esse papel que a lembrarei para sempre. Um dia conto mais sobre Twin Peaks e tudo o que significa para mim.

Bottomline is, assistam o filme. Para as mulheres, assistam com suas mães ou filhas. Para os homens, assistam sozinhos e reflitam sobre quão difícil é para uma mulher equilibrar todos os malabares que a vida joga.

[2] Dom, 2003. Mais um filme brasileiro. Porque uma das minhas resoluções de ano novo (no ano passado, note-se) era a de assistir a um filme brasileiro por mês. Não logrei cumprir meu intento, então neste fim de semana tentei fazer a média com os astros. Assisti a três filmes nacionais (o outro, eu comento aí embaixo).

Filme bacana inspirado em Dom Casmurro. Sabe que eu reli o livro quando fiz 30 anos. Eu havia lido com 15 anos, na época do colegial, e acho que nem consegui terminar. 15 anos depois, aos 30, eu reli. Sinto que cada capítulo de Dom Casmurro encerra em si uma história à parte, um conto, um microconto, uma divagação que seja. Bárbaro. Um dia vou ao Rio andar pelo Cosme Velho com um exemplar debaixo do braço, just getting the vibe.

Não vou dar minha opinião sobre a eterna dúvida, mas digo apenas que simpatizo com Capitu. A Capitu-Ana de Maria Fernanda Cândido no filme poderia ser a melhor amiga de qualquer um de nós.

[3] O Céu de Lisboa (Lisbon Story, 1994), de Win Wenders. Me lembro o primeiro filme de Win Wenders que assisti – Faraway, So Close. William Hurt e aquela alemã casada com o Win Wenders na época (esqueci o nome). Trilha do U2, bacana. Desde então, fico sempre de olho no alemão.

O Céu de Lisboa leva a medalha do final de semana. As cenas da cidade são lindas e ver Madredeus sempre é um prazer. Teresa Salgueiro está tão novinha, tão bonita, parece uma escultura, nem parece de verdade de tão perfeita.

E a música, ah meu Deus, a música...!!! Madredeus é avassalador, todo mundo precisa conhecer. Mas precisa de maturidade, precisa estar aberto para que a voz delicada da Teresa entre e faça morada.

As cenas de Lisboa me deixaram com ainda mais vontade de visitar Portugal. Já faz algum tempo, um par de anos, que estou mimando a terrinha, com vontade de conhecer Lisboa, Coimbra e Porto, ah, Porto! E os vinhedos, e os azeites, as azeitonas, o queijo de cabra que sei que tem em uma região do Norte que não me lembro mais o nome? Paro por aqui porque estamos falando do filme. Para Portugal voltaremos em outro post.

[4] A Cartomante, 2005. Mais um filme brasileiro, mais um inspirado em Machado. Não tão bom quanto Dom, mas bacaninha. Lógico que o conto do bruxo é muito mais interessante, mas cumpri minha missão.

E assim, chegamos ao final da minha epopéia. Nove filmes: brancos, negros e chineses se misturam na minha cabeça ao término deste fim de semana. Alguns traíram, outros pediram perdão, outros descobriram que suas vidas eram um script.

Obrigada pela companhia de todos vocês, atores, atrizes e diretores. Neste, que foi o fim de semana mais solitário dos últimos tempos, vocês foram de grande ajuda.

6 comentários:

Anônimo disse...

Bibi,
Meu final de semana não foi muito proveitoso, trabalhei no sábado e hj sobra a vida de D.de Casa.
Eu adoro vinho branco e conheço sim o queijo boursin, mas meu regime me impede um contato mais íntimo. Até a pipoca é controlada, só posso um copo cheio.
Claro que às vezes eu esqueço do regime um pouquinho.
Eu vou (aos poucos) assistir os filmes indicados.
Mas que seu final de semana foi relaxante, lá isso foi, não é?!?!
Beijo

simaocireneu disse...

Ê, Bibi Smith, minha cara, V. é tudo!
Amplexos do Cireneu!

Bibi Smith disse...

Esfinge, meu fim de semana foi, sim, relaxante... Mas não sei se aguentaria outro desses em seguida... De vez em quando é bom, sempre me enlouqueceria!

Cireneu, tudo é Vieira, eu sou apenas um pouco! Beijos!

Sofia disse...

Bibi,
Estou retribuindo a sua visita ao meu cantinho ;)
Eu conheci Madredeus antes de fazer a minha primeira viagem a Portugal, e de cara me apaixonei pela música deles. Quando fui a Lisboa, caminhava pelas ruas imaginando "Haja o que houver" como música de fundo. Lindo, vale a pena visitar cada cantinho daquele país.
Abraços,

Joana disse...

Concordo com a ideia de visitar Portugal! Mas inclui a Ilha da Madeira nesse itenerário que vale a pena! :)

Bibi Smith disse...

Sofia e Joana, certamente quererei contar com suas preciosas dicas quando finalmente conseguir curzar o Atlântico e desembarcar em terras de além-mar!
Um abraço!