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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pânico

Estou sentindo aquele aperto no coração de novo. É a mesma sensação de quando eu tinha 13 anos e não sabia ainda que se chamava ansiedade. Faltam três dias para acabar o ano – o profissional, pelo menos – e dez para o embarque. Mas há tanto a fazer antes disso, tanto a organizar, despachar, revisar, escrever, finalizar. Parece que não acaba, que meus dias tem tido só 12 horas em vez das 36 horas de que preciso.

Tem horas que mal consigo respirar. Não tenho comido direito e minha cabeça está um lixo. Tenho medo de estar perdendo o controle, de ter perdido as rédeas da minha vida e de não conseguir mais recuperá-las, de ter feito tantas paradas ao longo da estrada, de ter me desviado tanto e me embrenhado por tantos caminhos alternativos que não me lembro mais do caminho de volta, de como chegar em casa.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Há alguns meses, Contardo Calligaris participou de uma sabatina na Folha de S. Paulo. Entre dezenas de coisas bacanas, ele falou que não adianta só tomar antidepressivos, é preciso fazer psicoterapia, ou seja, a palavra cognitiva é essencial para que os efeitos do remédio sejam potencializados e eficazes.

Em outro momento, ele diz que não podemos simplesmente tomar pílulas para tudo, para rir, para dormir, para esquecer. É lógico que uma pílula evita a tristeza, mas será que também não evita a alegria completa, plena, absoluta? Será que, da mesma forma que nos protegemos da depressão, não ficamos também privados da euforia?

Vale a pena assistir a Calligaris falando sobre o comportamento humano:

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Histórias de Bia (1)

Meu marido morreu ontem. Teve uma ataque cardíaco na praia. Um horror, o rapaz da funerária disse que tinha areia em tudo quanto é canto. Disse que teve de esfregar e esfregar as pernas, a barriga, as costas, lavar o cabelo preto do Ricardo três vezes para tirar toda a areia. O resultado foi que ele ficou bem rosadinho, mesmo depois de morto no caixão, bonito mesmo.


Ricardo era muito admirado, por isso mesmo ninguém acredita que um homem que passou a vida se jogando de penhascos ao mar, se exibindo para turista ver, tenha tido um enfarte ao ver a mulher vestindo um duas-peças na praia em vez daqueles maiôs com saiote. Que culpa tenho eu se meu corpo é bonito?

Agora, vocês me dão licença que já está chegando gente para o velório.

Acapulco, 1957

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Resposta óbvia

De casa para o trabalho, do trabalho para casa.
Duas vezes por dia cada percurso.
Todos os dias.
Há meses.
Só os horários é que mudam.

É muito tempo percorrendo os mesmos nove quarteirões. Já sei a que horas abre a maioria das lojas, já decorei quais calçadas são as melhores para a caminhada, já descobri em quais esquinas é melhor para atravessar a rua. Dou bom-dia para o passeador de cachorros, para o pai de um vizinho com quem tive um caso há muitos anos (o vizinho, não o pai, bien entendu), para os motoristas do ponto de táxi. E porque de tempos em tempos eu sonho com um buldogue que se chamará Nero Wolfe, fico reparando nos cachorros que saem para passear sempre nos mesmos horários.

Uma vez vi um perdigueiro marrom com manchas brancas que levava a dona no trote por quarteirões seguidos. O bicho pulava, corria, cão de caça mesmo, daqueles que não deixa passar nem uma folha seca rolando. Achei graça no jeito com que a moça se esforçava para acompanhar o passo do cachorro. Eles passaram e continuei meu caminho. Depois disso, passei a encontrá-los com certa regularidade e até descobri onde moram. Numa manhã, os vi saindo de um prédio baixo na esquina de onde fica a agência onde trabalho.

Dias depois vi outra mulher passeando com o perdigueiro marrom e branco. Achei estranho, mas imaginei que fosse a mãe da primeira moça. Quando a encontrei pela segunda vez e pude reparar melhor, vi que era jovem demais para ter uma filha daquela idade e fiquei intrigada. Qual seria a relação entre as duas? Concluí que o mais provável é que dividissem a mesma moradia e o mesmo bicho de estimação. Podiam ser namoradas, quem sabe.

Foi quando vi a segunda mulher sair de um prédio antigo e luxuoso que fica no meio do quarteirão, pouco antes da agência. Com o cachorro. Foi aí que não entendi mais nada. Minha teoria estava furada. Elas não dividiam um apartamento, não moravam juntas, talvez não fossem namoradas. Mas, então, o quê? Matutei um pouco, analisei as opções e... ah, lógico. Elas ERAM namoradas, mas se separaram e agora dividem a custódia do cachorro. Só podia ser isso, óbvio. Continuei meu caminho satisfetia, com a minha mente literária e ficcional até o último neurônio feliz com o desfecho lógico que eu tinha encontrado para aquele mistério.

Ontem, percebi que as coisas são bem mais simples e óbvias do que sonha a minha cabeça de contadora de histórias. Eu caminhava para casa na hora do almoço e ao dobrar a primeira esquina encontrei as duas mulheres. Com DOIS cachorros! E foi exatamente isso que eu falei, em voz alta e incrédula, quando as vi: "São dois cachorros!" As duas me olharam, deram risada e, quando o semáforo ficou verde, cada uma de nós seguiu uma direção diferente.

Fui-me embora para casa, sorrindo sozinha e murmurando: "São dois cachorros...!"

Tão simples, né?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dê livros de presente

Tenho lido as notícias sobre o mercado editorial norte-americano e não são animadoras. Diversas livrarias independentes fecharam, grandes redes adiaram a abertura de novas lojas e as que se mantêm de portas abertas se queixam de que o movimento caiu.

Em uma tentativa de estimular a venda de livros neste fim de ano, um grupo de blogueiros e autores se reuniu no Books for the Holidays, um blog que dá dicas de presentes livreiros para o Natal.

É uma excelente idéia. Livros são um presente elegante, demonstram o bom gosto de quem presenteia e se tornam objetos únicos para quem é presenteado.

Adotem essa idéia:


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Na reta final de Crepúsculo

Voltei a ler Breaking Dawn no sábado passado, uma semana depois do meu surto.

O livro é dividido em três partes, e foi o final da primeira parte que me deixou, vamos dizer, irritada. Passada a revolta, voltei ao livro para descobrir que a segunda parte é narrada por Jacob, o meu personagem preferido. Quanta diferença!

Em breve, termino a leitura e faço a resenha para o Homem Nerd. Assim que estiver pronta, aviso.

sábado, 25 de outubro de 2008

Chega de Crespúsculo...

... por ora.


Peço desculpas se alguém por aí estava acompanhando meus posts e resenhas sobre uma das séries de livros mais comentadas do momento, mas eu preciso de um tempo.

Acabei de ler a página 138 da edição americana de Breaking Dawn e os fatos narrados até ali foram demais para mim. Ao mesmo tempo em que continuo me irritando com Bella e Edward, como comentei na resenha de Eclipse, posso antecipar o que vai acontecer com o casal e não tenho certeza de que queira saber logo ou de que esteja preparada para o que vou ler, principalmente porque as coisas não parecem muito boas para meu preferido, Jacob Black.

Por isso, queridos, vou deixar o tijolinho (alguém já viu o tamanho das edições americanas? Parecem um Lego gigante!) na minha cabeceira durante alguns dias até que eu esteja preparada para encarar o fim da série...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Página virada: Lua Nova e Eclipse

Terminei ontem de ler Eclipse, o terceiro livro da saga Crepúsculo, de que comentei aqui. Tinha terminado de ler Lua Nova, o segundo volume, na semana passada e agora só falta o desfecho, Breaking Dawn.

Se quiser saber o que eu achei, é só seguir os links aí de cima para as resenhas no Homem Nerd.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sites interessantes (8)

Outro blog, desta vez sobre cafés. Não o grão, mas o lugar.

O República do Café traz fotos e mais fotos de escritores, cineastas, dramaturgos em cafés pelo mundo e conta a história deles em poucas, mas preciosas, palavras.

Dá até vontade de tomar um cappuccino.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Curso sobre contos

Começa na segunda-feira, dia 20, o curso Seis Contos Essenciais, Seis Contistas Exemplares, na Casa do Saber da Mário Ferraz.

As aulas serão dadas pela professora Sandra Guarini Vasconcelos, da Letras/USP, que conheço só de nome, mas que tem fama de ser maravilhosa. Morro de vontade de assistir a uma aula dela, nem que para isso eu tenha de me esconder no fundo de alguma sala de graduação na FFLCH.

O curso vai falar de Poe, um dos precursores da literatura policial, genêro que, como já repeti à exaustão, é o meu preferido e eterno objeto dos meus estudos críticos. Além dele, outros contistas excepcionais como Hemingway e Virginia Woolf, que já citei em outros posts.

Minha carência de debates literários inteligentes é tanta que estou até pensando em arcar com o custo e a dose extra de paciência que a chamada DaslUsp exige.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sites interessantes (7)

Na verdade, hoje são dois blogs amigos.

O primeiro é o Romances Policiais, do Thiago Carvalho. Cada post traz a sinopse de um livro, com comentários do autor do blog. É um banco de dados dos livros do gênero.

Mais específico, o Textos & Thrillers trata só, como o nome diz, de thrillers, o que por si só já é uma atitude para lá de louvável. Dedicar-se a um gênero considerado tão descartável é bastante corajoso e ainda bem que alguém resolveu enfrentar o preconceito. Como se não bastasse, Flávia Andrade dá a sinopse do livro e reúne comentários do grupo de leitura de que faz parte, trazendo diversos pontos de vista e enriquecendo a pesquisa sobre cada título.

Ah, se todos os blogs fossem assim.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ô gentinha!

Não raramente as pessoas me olham com descrença quando digo que abandonei a prática do Direito para me dedicar à Literatura e à Língua Portuguesa. A atitude exigiu que eu repensasse minhas prioridades e meus valores e que eu me adaptasse a um novo estilo de vida e a uma nova situação financeira. Não me arrependo da decisão que tomei, mas por vezes questiono se deveria ter insistido um pouco mais, em nome de uma estabilidade econômica que só recentemente readquiri.

No entanto, minha decisão é reafirmada cada vez que leio notícias como a recondução do promotor Thales Schoedl ao cargo de promotor público, mas com o exercício das funções suspenso. Ou seja, esse assassino recebe mais de 18 mil reais para não trabalhar.

É revoltante e me faz ter vergonha de um dia ter pertencido à mesma classe profissional de gente como Thales, Luís Felipe Marzagão (advogado de Thales) e Carlos Alberto Menezes (ministro do STF que concedeu a liminar para a recondução).

A nova escravidão

Eu, a menina que odeia fazer dieta, fico feliz ao ler a seção Espaço Aberto de hoje no Estadão.

Miguel Reale Jr. escreveu um artigo muito interessante sobre o significado do corpo (sim, do físico) desde Adão até os dias de hoje.

Em uma exposição de idéias lindamente encadeadas, ele começa e a glorificação do corpo, considerado pela Bíblia o bem maior, a única coisa que retomaremos no momento da segunda vinda de Cristo. Por isso, segundo o artigo, a forma de controle mais utilizada na Idade Média, por exemplo, as punições e as restrições mais comuns, envolvem castigos físicos e privações do corpo.

Não vivemos mais em feudos medievais. Já passou o tempo em que o corpo das pessoas e sua força física eram escravizados em nome da produção comercial. A filosofia paz-e-amor dos anos 1960 veio para libertar mente e corpo, para dar às mulheres total domínio sobre o seu físico.

No entanto, como bem aponta o artigo, nem sempre as mulheres sabem o que fazer com essa liberdade. E nesse ponto reproduzo as palavras de Miguel Reale Jr.:

"Engano. A exterioridade prevalece, na atenção angustiada ao corpo. Há nova forma de escravidão. Tornam-se escravos do corpo, que escraviza ao ser endeusado como escultura a reproduzir os modelos construídos por celebridades: um desespero a cada grama a mais denunciado pela balança.
(...)
Garotas sem tempo para ler, para exercitar a imaginação e a fantasia, para se entreter com filmes, com brincadeiras e conversas, dedicadas exclusivamente à ginástica autocentrada em frente ao espelho."

E o articulista encerra magistralmente, refletindo-se em suas palavras tudo o que penso a respeito do assunto:

"A aparência predomina sobre a substância. Na nova escravidão, seqüestra-se o espírito: só existe o corpo. E se esquece que os dois, corpo e espírito, devem ser alimentados simultaneamente para uma vida significativa. A busca da beleza escultural como um fim em si mesmo produz mentes insanas, corpos sem densidade."

Falou e disse.


P.S. A inspiração deste post devo a minha querida amiga Stefanne, competentíssima mídia da agência. Não, ela não é uma dessas fanáticas por corpos esculturais, mas, sim, por cérebros em forma. Graças a ela, o jornal chega todos os dias à minha mesa.

McCall Smith escreve online

Alexander McCall Smith, autor da série Agência No. 1 de Mulheres Detetives, foi contratado pelo Daily Telegraph, de Londres, para escrever um romance online. Intitulada Corduroy Mansions, a história já tem 17 capítulos e ganhará um novo a cada semana até 13 de fevereiro.



A série Agência No.1, estrelando Mma Ramotswe, uma simpática moradora do deserto de Kalahari, em Botswana, já tem nove livros. Além deles, McCall Smith escreveu O Clube Filosófico Dominical, com a personagem Isabel Dalhousie, que já estrelou outros três romances.

Os livros de McCall Smith são bem escritos, refinadamente divertidos com um toque de romance policial. Vale a pena conferir.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Copa de Literatura Brasileira

Já falei sobe a Copa de Literatura Brasileira? Se não falei, falo agora para redimir a falha.

A intenção dessa iniciativa bacana (já repararam como adoro esse adjetivo?) é selecionar os romances brasileiros que mais se destacaram no ano anterior para se enfrentarem em disputas dois a dois, como um torneio de futebol. Os árbitros responsáveis por nomear o vencedor são escritores, jornalistas, gente que gosta de literatura e faz a sua parte divulgando a boa.

A idéia não é estabelecer que um livro é melhor que outro, mas, sim, criar debates, estimular leituras, fomentar a curiosidade de quem tiver a sorte de acompanhar as partidas.