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sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Cada dia é uma incógnita


Cada dia é uma incógnita.

Acordamos todos os dias sem saber o que nos espera, sem ter idéia do que acontecerá nas próximas horas.

Os mais céticos podem dizer que sabem, sim: que levantam da cama, tomam café da manhã, se banham e se arrumam para ir ao trabalho, à escola, faculdade ou qualquer outra atividade que tenham programado. Que o dia vai passar e que retornarão às suas casas no final da tarde para o jantar, e depois ver um filme, assistir a novela, transar com a esposa ou qualquer outra coisa assim.

Mas a verdade é que há certas coisas que atropelam o nosso dia e, para isso, não há programação que resista.

Você, esposa insipiente ou marido infiel, talvez hoje seja o dia em que tudo será posto às claras, que o consorte traidor será flagrado e o seu casamento se revelará uma farsa.

Você, funcionário dedicado que trabalha faz 20 anos no mesmo setor da mesma empresa com as mesmas pessoas, talvez seja hoje o dia em que você conhecerá o seu substituto, 20 anos mais novo e 20 vezes mais enérgico do que você.

Você, desavisado, talvez hoje seja o dia em que uma bicicleta o atropelará e você terá que ficar uma semana com a perna engessada assistindo “Sessão da Tarde”.

Ou talvez seja hoje que aquela sua amiga dos tempos de colégio, que sofre muito por causa de alguns demônios pessoais... talvez seja hoje que ela não consiga sair de dentro do casulo, que ela não consiga mais completar o ciclo.



Ou não.


Talvez seja hoje que você descubra que tem o casamento mais feliz de todos, que o seu marido te leve para jantar embaixo de uma figueira, que sua esposa compre uma nova lingerie, que a promoção com que você sonha há 20 anos aconteça, que o ciclista seja uma pessoa maravilhosa e você ganhe um amigo, quem sabe um namorado.

E que mais uma vez a metamorfose aconteça e que sua amiga ressurja, mais uma vez, como uma linda e colorida borboleta.

10 comentários:

simaocireneu disse...

Bibi, Bibi, você é cronista da melhor cepa!

Anônimo disse...

Maravilhoso.`
Um dia deixamos mesmo de ser lagartas que só rastejava e nos transformamos em borboletas e voamos em busca dos sonhos.
Lindo e profundo tudo que você aqui escreveu e vale como uma bela lição, vou sempre lembrar quando eu estiver como "lagarta".
Abraços

Bibi Smith disse...

Simão, obrigada pelo elogio!

Esfinge, todas nós somos um pouco lagartas, um pouco borboletas, mas sempre em metamorfose!

Que bom que vocês gostaram, esse texto saiu como um desabafo, como uma libertação da agonia que eu estava sentindo...

Anônimo disse...

Se em momentos de agonia vc escreve assim; faço idéia do que venha escrever em momentos de plena felicidade.
De fato é linda a forma como escreve.
Bjo

Bibi Smith disse...

Puxa, Esfinge, obrigada pelos elogios! Como diria Simão, só à sua bondade posso atribuí-los!
Dias melhores virão em que poderei escrever palavras mais felizes!

Anônimo disse...

Hei!
Onde anda vc?
Venho aqui e não tenho achoda as maravilhas de sempre.
Feliz Natal.
Beijinho

Anônimo disse...

Bibi,
Pra vc e sua família um lindo natal.
Beijinho

J@de disse...

Vim por indicação da Esfinge e já já vou botar vc nos meus links!!
Esse texto me fez pensar na rotina que eu tanto prezava e que de uns anos para cá já não me atrai mais...
Beijos!!

Bibi Smith disse...

Esfinge, obrigada sempre pelas visitas! O blog é um pouco randômico, às vezes escrevo loucamente, às vezes desapareço na surdina... mas eu sempre volto!
Um beijo!

Bibi Smith disse...

J@ade, pensar na nossa rotina é sempre bom; re-pensar e transformá-la é melhor ainda!
Obrigada pelo apoio!
Um beijo!